
Quando resolvi visitar o Jalapão, o incrível deserto brasileiro, e agendei tudo, comecei a comentar com meus amigos, animadamente, sobre minha aventura. E mais de uma vez, vi a expressão de surpresa no rosto deles e ouvi a mesma pergunta: “Japão?! Você vai pro Japão?”. Minha resposta também era sempre a mesma: “Não é Japão, é Ja-la-pão, o deserto brasileiro. Você nunca ouviu falar?”. Aí, era minha vez de ficar surpresa, já que a maioria respondia negativamente. E lá ia eu explicar tudo.
De minha parte, essa era uma viagem que eu deseja fazer há algum tempo e ficava adiando, geralmente porque o período melhor para visitação não casava com minha disponibilidade de tempo. Finalmente, em maio/2012 esse momento esperado aconteceu.

Comprei o pacote para uma semana e embarquei de São Paulo para Palmas, chegando à capital do Tocantins no fim da tarde de uma sexta-feira. Ao sair da área de desembarque, encontrei o pessoal da operadora esperando e, com eles, outros turistas que haviam chegado no mesmo voo para fazer o programa também.

Saímos dali num caminhão adaptado como ônibus, com bancos e janelões. Entramos na cidade com o sol se pondo e desde o aeroporto me chamou a atenção o quanto o relevo é plano.
Fomos deixados no hotel e recebemos a programação de como seria o dia seguinte. Depois do banho, perguntando sobre o que havia para fazer, de preferência algo tradicional, o recepcionista do hotel falou sobre a feira que acontecia todas as sextas-feiras à noite num galpão.
Feira livre em Palmas
Adoro feiras e adoro também interagir com as pessoas do lugar. Como o recepcionista disse que havia comida lá também, minha amiga e eu resolvemos jantar por lá e pegamos um táxi num ponto do lado do hotel. E foi uma delícia!

Palmas foi construída com pessoas vindas de todos os Estados do Brasil, por isso sua culinária é uma mistura de várias regiões, vistas e expostas à degustação nessa feira: tacacá, pastel, churrasco, acarajé, vatapá, bolinhos diversos, como de pequi, de carne seca e de bacalhau, caldos, feijoada, crepe, pizza etc.

O espaço é imenso e divide-se em diferentes áreas: artesanato (com muitas coisas feitas com capim dourado), frutas, hortaliças, grãos, farinhas, pimentas e comidas.

Experimentei alguns bolinhos, matei a saudade de acarajé, comi um pouco de tacacá e não resisti a um pastel de guariroba.

Os moradores realmente aproveitavam para fazer a feira para casa e lotavam a praça de alimentação. Não consegui identificar nenhum turista além de nós duas. Pelo menos, só nós ficamos andando ao redor, fazendo fotos. Mais tarde, voltamos pro hotel de táxi também e, embora ainda não fosse 22h, as ruas da cidade estavam vazias.

No dia seguinte, depois do café da manhã e no horário determinado, lá estava o caminhão aguardando todos que iam compartilhar aqueles dias e a programação oferecida, vindos de diferentes partes do Brasil.
E se posso lhe incentivar numa palavra a conhecer o Jalapão, essa palavra é: vá!
Como costumo fazer quando relato minhas viagens, dividirei o roteiro em dias e em posts separados. Para saber como foi essa aventura pelo deserto brasileiro, clique nos títulos ao final deste post.
Sobre Palmas
Palmas é jovem e foi muito bem-planejada (uma exceção no Brasil), com grandes quadras, muitas praças e poucos prédios. Como Brasília, foi erguida no meio do nada por trabalhadores de todos os Estados brasileiros. Fundada em 20/5/1989, tornou-se capital estadual em 1/1/1990. Conforme dados do IBGE de 2012, sua população é de 242.070 pessoas – e o palmense mais velho tem apenas 23 anos.
Tranquila e uma das mais seguras do Brasil, tem ótima infraestrutura e é a porta de entrada para se conhecer o Jalapão.
(Textos e fotos: Amandina Morbeck)
Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.
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Posts relacionados (clique nos títulos para acessá-los):
– De Palmas ao acampamento no Jalapão – dia 2
– Canoagem no Rio Novo, Jalapão – dia 3 pela manhã
– Dunas do Jalapão – dia 3 à tarde
– Fervedouro do Jalapão – dia 4 pela manhã
– Cachoeira do Formiga, Jalapão – dia 4 à tarde
– Curtindo o acampamento no Jalapão – dia 5
– Cachoeira da Velha, Jalapão – dia 6

Pois é, Tatiana, ao publicar sobre minhas viagens, certamente gostaria de inspirar as pessoas a visitarem os lugares onde estive. O Jalapão, por exemplo, é muito especial e praticamente desconhecido para a maioria dos brasileiros. Que mais pessoas queiram ir para lá aproveitar sua singularidade e sua beleza.
Amandina, teu relato é EXATAMENTE o que passei quando visitei o Jalapão, com a Korubo SafariCamp Jalapão. Foi o máximo e eu recomendo a todos os brasileiros. É um Brasil que poucos conhecem!