
Chegamos ao Refúgio El Chileno 5 km e 3h depois de ter deixado o Refúgio Torres Central (veja como foi esse dia em Circuito W, dia 1). Eu havia ficado impressionada, na chegada ao El Chileno, com a beleza do Vale do Ascencio, com a vista para as montanhas nevadas ao longe e com o maciço Paine e as pontas das torres aparecendo. O refúgio foi construído às margens do Rio Ascencio, aos pés da montanha, e os últimos metros para chegar até ele são completados por uma ponte sobre esse rio.

Construído também em madeira, em sua entrada há um comunicado avisando que é proibido entrar calçado com botas. Tirei as minhas e fui fazer nosso check-in. O procedimento foi o mesmo do dia anterior – digitalização dos passaportes, entrega dos vales-refeição e indicação do quarto, com 3 beliches (um triplo). Ocupamos 2, um casal ocupou o outro e uma cama ficou vazia. Em todas as camas havia lençol cobrindo o colchão, travesseiro com fronha e um saco de dormir bem grosso e muito quente (tanto que não consegui dormir com ele fechado).

O El Chileno é bem menor que o Torres Central e bem menos aconchegante internamente. Os funcionários também não são muito simpáticos. Outra coisa ruim é que os cavalos que levam mercadorias para lá ficam amarrados bem na área comum para entrada do refúgio e para acesso ao acampamento; o coco (que estava amontoado) e o xixi deles exalavam um cheiro ruim e moscas ficavam voando em todas as direções.

Deixando isso de lado, a natureza ao redor é maravilhosa, composta pelo rio correndo, pelo bosque e pelo maciço bem em frente. Nas duas mesas colocadas na área externa, os trekkers se reúnem para comer e para conversar, admirando aquela paisagem incrível. Muitas pessoas passam pelo El Chileno indo ou voltando do mirante da base das torres e também do Acampamento Torres.

A área de camping do El Chileno tem um pequeno platô e depois vai subindo o morro, dentro do bosque, com plataformas individuais, como palafitas, nas quais as barracas são armadas.

Sentamos ali para comermos nosso almoço e conversarmos sobre nossa caminhada até a base das torres. Quando acabamos, pegamos a trilha em direção a elas – mas acabou que voltamos sem chegar até lá. De qualquer forma, logo depois do refúgio começa um bosque muito bonito e foi delicioso caminhar por ele, mas o terreno é bem íngreme.
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De volta, tomei banho, fiz minhas anotações e fiquei conversando com minhas amigas; depois saí para fotografar de novo e assisti ao sol se esconder atrás da montanha. Ainda não era pôr do sol porque lá só escurecia por volta das 22h30. O som do rio correndo, aquele céu azul, o vento soprando, o sol, as poucas nuvens… tudo isso contribuía para tornar aqueles momentos tão especiais.

Entrei na hora do jantar. O pãozinho de entrada e a sopa estavam bem gostosos. Pedi opção vegetariana essa noite, pois não gosto de comer carne vermelha todos os dias, e veio arroz com omelete, meio molengo, que não estava muito saboroso. A sobremesa estava horrível.

Comi e o cansaço me venceu. Quando fui usar o banheiro, antes de deitar, o chão estava muito, muito sujo e as lixeiras, lotadas de papel, bem diferente do Refúgio Torres Central. Uma de minhas amigas pediu a uma das atendentes se era possível limpá-lo. Não esperei a resposta e fui dormir (com meus amados protetores auriculares). Na manhã seguinte, o chão estava um pouco mais limpo, mas os papéis continuavam do mesmo jeito.

Uma brasileira que encontramos no Refúgio Torres Central havia dito que o serviço do Los Cuernos era ruim. No final, vi que ela disse isso porque não havia ficado no El Chileno… O café da manhã, marcado para 7h30, começou a ser preparado nesse horário, com a chegada dos funcionários, um de cada vez, com cara de poucos amigos e sem um buenos dias. Quando tudo ficou pronto eram 8h. Comemos, pegamos o almoço de trilha e partimos em direção ao Refúgio Los Cuernos (veja como foi esse dia em Circuito W, dia 2).

Fui subindo a trilha devagar, virando várias vezes para trás para me despedir daquela paisagem maravilhosa. Queria fotografar tudo em minha mente para nunca mais esquecer.
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Veja como são os outros refúgios:
(Texto: Amandina Morbeck; fotos: Amandina Morbeck e Janaina Vieira)
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