
Arrumar a mochila para uma aventura é uma parte superimportante, por isso quis compartilhar o que levei para fazer o trekking no Circuito W em Torres del Paine. Não podemos esquecer, por um segundo, que o que colocarmos nela será levado em nossas costas. Num primeiro momento, descansados e no conforto de nossa casa, pode não parecer muito, mas no sobe e desce das trilhas, com sol, chuva, vento, terreno instável e cansaço, tudo muda. Costas, lombar, pernas, joelhos, tornozelos e pés são muito exigidos. Se normalmente carregar apenas o peso do nosso corpo já representa um estresse para essas áreas, imagine somar mais, digamos, 10 kg, 15 kg, 20 kg da mochila (é preciso considerar também o peso dela quando está vazia). Não é brincadeira!
A propósito, tem um texto bem interessante escrito por Antonio Calvo, aventureiro e educador de atividades ao ar livre, no qual ele fala sobre essa questão (Go Light! Viaje Leve!). Foi publicado no portal Extremos e recomendo a leitura.
Uma tabela para nortear essa questão foi publicada por Guilherme Cavallari em seu Manual de Trekking & Aventura (que é sensacional e recomendo a quem gosta de atividades ao ar livre) e indica o percentual do peso corporal em kg a ser levados na mochila: atletas ou alguém com excelente preparo físico: 40%, bom preparo físico: 33%, algum preparo físico: 25%, sem preparo físico (sedentário): 20%. Assim, se você pesa 70 kg e tem bom preparo físico, pode levar até o máximo de 23,1 kg. Minha sugestão é que, na medida do possível, o total fique sempre abaixo do seu limite.
Bom, para fazer o Circuito W em Torres del Paine, optei por ficar em refúgios porque assim não precisaria levar equipamento e comida para acampar. Com as roupas tecnológicas de hoje, bem mais leves, é possível ter proteção contra os elementos da natureza com muita eficiência. Muitas vezes, podemos achar “caro” pagar pela qualidade de determinadas marcas de roupas, de acessórios e de calçados para atividades ao ar livre, mas a qualidade conta muito para enfrentar as instabilidades de temperatura, de clima e de terreno.
Confira o que levei para esse roteiro (somados mais 3 dias que fiquei em Puerto Natales e Punta Arenas). Considerando que o clima em Torres del Paine é muito instável e muda rapidamente, é preciso levar de tudo um pouco:
– mochila Deuter ACT Lite 50+10
– reservatório de água de 2 litros Deuter
– 2 bastões de caminhada Sister Outdoors
– 4 pares de meias grossas
– 3 pares de meias finas
– 4 calcinhas
– 2 tops
– botas à prova d’água Salomon
– sandálias Havaianas
– 1 camiseta de mangas compridas Solo Ion Lite
– 2 camisetas de mangas curtas – Solo Ion Lite e Adventure Gear
– 2 jogos de segunda pele Solo
– 1 fleece bem fininho e outro um pouco mais grosso Columbia
– 1 anorak The North Face
– 1 calça impermeável com zíperes laterais The North Face
– 1 calça Columbia que vesti para ir e para voltar do Chile
– 1 toalha Dry Lite Sea to Summit
– kit de primeiros socorros
– chapéu de pano
– gorro de lã CURTLO
– luvas Solo
– calça para caminhada Columbia (usei a mesma nos 4 dias de caminhada)
– calça de agasalho para vestir nos refúgios depois do banho
– artigos de higiene (incluindo protetor solar, que é fundamental)
– protetores auriculares (nunca viajo sem eles)
– 2 cobertores térmicos de emergência Coleman
– 1 rolo de Silver tape (nunca saio para atividades ao ar livre sem ele)
– 1 Moleskine+1 caneta
– 3 sacos estanques para guardar, quando necessário, a câmera fotográfica, o celular, os documentos e minhas anotações
— Peso: 10 kg —
Mais:
– câmera fotográfica Canon 60Da, que levei a maior parte do tempo fora da mochila, atravessada em meu tronco. Só tive de guardá-la uma parte do percurso no terceiro dia, quando choveu um pouco.
– no braço, relógio Suunto Vector
Observação: Na mochila, todas as manhãs, colocávamos também o almoço de trilha, que recebíamos no refúgio depois do café da manhã. Devia pesar em torno de 1 kg. Até pararmos para comer, era 1 kg a mais para carregar – e era basicamente o mesmo em todos os refúgios.
Leia também:
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Agendamento para acampamentos em Torres del Paine

É fundamental considerar o peso da mochila em relação ao nosso peso corporal e ao nosso condicionamento físico. Para entender melhor e se preparar melhor também para atividades ao ar livre, recomendo o Manual do Trekking e Aventura, de Guilherme Cavallari.
Para mim, não existe experiência melhor do que estar ao ar livre, no contato mais direto possível com a natureza. O cansaço depois dos quilômetros andados num trekking (ou da remadas num caiaque ou das pedaladas numa bike etc.) é normal e faz parte da experiência. Afinal, ele passa e o que ficam são as lembranças, o aprendizado, a alegria por ter superado desafios e limitações e as histórias para compartilhar com a família, com os amigos e mesmo com desconhecidos, como acontece quando publico meus textos e eles são acessados por pessoas que eu talvez nunca encontre pessoalmente.
Geralmente, quando volto já começo a pensar no próximo roteiro.
(Texto: Amandina Morbeck; fotos: Amandina Morbeck e Janaina Vieira)
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– Angelica’s – Puerto Natales, Chile
– El Living – Puerto Natales, Chile
– Baguales – Puerto Natales, Chile
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– La Marmita – Punta Arenas, Chile
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