
Do Refúgio Torres Central ao El Chileno
Fizemos o check-in no dia anterior no Refúgio Torres Central, depois de deixarmos Laguna Amarga, e fomos informadas sobre o horário do jantar e do café da manhã, pois os trekkers são divididos por grupos para evitar alvoroço. Jantamos às 19h30 e, cansadas, fomos pra cama com o dia bem claro ainda, pois nessa época do ano no Chile (janeiro) só escurece a partir das 22h30.
Acordamos por volta das 7h para o que seria o primeiro dia oficial para colocarmos as botas na trilha. Fizemos o desjejum e, quando terminamos, com as mochilas já prontas, só pegamos o lunch box (almoço de trilha), guardamos tudo e começar a caminhada em direção ao Refúgio El Chileno por volta das 8h20.

A manhã estava nublada e fria, ideal para caminhar. Pegamos a estrada que leva até o Hotel Las Torres, último ponto com acesso para veículo motorizado naquela parte do parque, e a partir dali começa a trilha; até o El Chileno são 5 km. Inicialmente, ela é plana, mas logo depois da ponte começa a subida, que se torna cada vez mais íngreme. Muitos trekkers não usam, mas para mim os bastões de caminhada são superimportantes, principalmente para subidas e descidas fortes com mochila cargueira nas costas.

O sol apareceu e trouxe muito calor. À medida que subíamos, a paisagem ficava cada vez mais bonita, principalmente às nossas costas, com vista para o Lago Nordernskjold. Impossível avançar com rapidez, pois queríamos fazer fotos, curtir o visual e também fazer pequenas paradas para recuperar o fôlego. Na trilha, muitas pessoas de diferentes países, cada qual no seu ritmo.

Nesse trecho é importante levar água, pois não há riachos de degelo. O único que encontramos estava bem perto do refúgio. Uma brasileira que encontramos no Torres Central nos disse que havia água e que não precisávamos levar peso extra na mochila, que uma garrafinha seria suficiente. Nada disso! Passamos um pouco de perrengue porque principalmente depois que sol apareceu (e ele queima de verdade), ficamos com muita sede.

Quando a subida acaba e a trilha vira levemente à esquerda é um UAU! Ficamos de cara com o maravilhoso Vale do Rio Ascencio. De um lado, um morro; no meio, a trilha; do outro lado, o despenhadeiro e, lá embaixo, o rio correndo veloz, com seu barulho ecoando pelo vale. Lá no fundo, o Refúgio El Chileno, na margem do rio, e um pouco à frente, as pontas das torres do maciço Paine.

Começamos a descer, felizmente com zero de vento. Imagino que com ele soprando fique um pouco mais difícil caminhar naquela trilha, por ser tão aberta. O visual é de tirar o fôlego e fui caminhando mais devagar, degustando cada passo.

Chegamos ao refúgio depois de 3h de caminhada. Após o check-in, deixamos as mochilas no quarto e nos preparamos para a segunda etapa, que seria a subida para o mirante das torres, a umas 3h dali.
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Seguimos pela trilha, que logo depois entra num bosque muito verde e refrescante, e começamos a subir de novo. No entanto, não fomos até o mirante, pois minhas amigas estavam sentindo muito cansaço e achamos melhor voltarmos todas. De qualquer forma, o que vimos até onde caminhamos também foi muito bonito. Na verdade, não tem lugares feios no parque.

De volta ao refúgio, tomei banho, fui fazer mais fotos porque o entorno é lindo, com vista para as pontas das torres e o rio correndo do lado. Queria ficar ali, curtindo aquele visual todo, sentindo uma alegria imensa por estar ali e por ter visto tanta beleza em todo o caminho. Havia cansaço, mas era gostoso de sentir!
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Fiz umas anotações no meu diário, jantei e depois fui dormir. O dia seguinte seria mais longo que esse primeiro e era importante recuperar as forças com uma boa noite de sono.
Leia o relato dos outros dias do trekking. Clique nos títulos para acessar:
Para saber mais sobre os refúgios: Os refúgios ao longo do Circuito W, em Torres del Paine, Chile.
(Texto e fotos: Amandina Morbeck)
Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.
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