
Do El Chileno ao Los Cuernos
O dia 2 no Circuito W, Torres del Paine, começou com o café da manhã atrasado, por isso saímos do refúgio um pouco mais tarde do que planejamos. Pegamos nosso almoço de trilha e partimos às 8h40. Fizemos de volta o caminho do dia anterior, pelo Vale do Rio Ascencio, descemos até uma encruzilhada, antes da ponte, onde tem duas plaquinhas indicando os caminhos para El Chileno e Los Cuernos. Seguimos em direção ao segundo. A distância é a mais longa dos 4 dias, 16 km (5 km até a bifurcação da trilha e mais 11 km a partir desse ponto), mas o relevo é mais suave. Há subidas e descidas íngremes, mas são curtas – o que não significa que não causem estresse ao corpo, principalmente porque caminhamos bem mais.

Depois de passarmos por um vale com flores e plantas rasteiras, com o maciço Paine do lado direito, começamos a subir e a descer para, depois de uma subida longa e suave, nos surpreendermos com a belíssima vista do Lago Nordenskjold. É impactante! Como já estávamos caminhando há algum tempo, paramos ali para fazer um lanche e curtir a vista.

O céu estava escuro, com cara de chuva, e depois de um tempo um ventinho suave, mas frio, começou a soprar e ouvimos um estrondo atrás da montanha. Achei que fosse um trovão e resolvemos apressar o passo. Depois de um tempo e ouvindo o mesmo estrondo outras vezes, descobrimos que o barulho era provocado por avalanches da neve que ficava no alto da montanha.
De qualquer forma, parecia que ia começar a cair um toró a qualquer momento e ainda tínhamos muito chão para amassar com nossas botas. No sobe e desce, as paisagens mudavam e continuavam a surpreender, naquele encontro entre lago e montanhas com neves em distâncias diferentes. Numa das descidas, caminhamos numa praia de pedras na beira do lago. Lindo demais!

Por toda a trilha há veios de água de degelo, portanto não é necessário levar água, que se torna peso extra na mochila. Uma garrafinha é suficiente para ser abastecida periodicamente. Em determinado ponto da trilha há um rio mais forte, com uma ponte e muitas pedras ao redor, que é um convite para uma parada para descanso e para comer alguma coisa. E foi o que fizemos, com vista para o lago.

Depois de um tempo, começamos a visualizar melhor los cuernos ou os chifres do maciço e, após 6h40 desde a saída do Refúgio El Chileno, chegamos ao Los Cuernos depois de atravessar uma ponte sobre um caudoloso rio de degelo que desagua no Lago Nordenskjold. A última descida para chegar até ela é punk e caminhamos com muito cuidado.

Depois do check-in e das mochilas no quarto, tomei um banho quentinho e desci para ver o Lago Nordenskjold de pertinho e com mais tempo, pois o refúgio foi construído a poucos metros dele. Quase todo cercado por montanhas altas, algumas ainda com neve, sua água tem uma bela cor esverdeada.

A água é supercristalina, mas muito fria. Como meu relógio tem termômetro, deixei-o mergulhado por alguns minutos e quando tirei ele marcava 15 graus. Não aguentei ficar com os pés nela por muito tempo, pois eles começaram a adormecer. Ainda assim, vi duas pessoas mergulhando. Que coragem! Caminhando de volta para o refúgio, ficamos de cara com los cuernos, ou seja, não há lugar feio no parque.

Fiz minhas anotações e depois minhas amigas e eu nos juntamos aos outros trekkers no lado de fora do refúgio. Como os acampamentos Italiano e Britânico foram fechados naquele dia por problema de contaminação (embora não tenha sido especificado pelo quê), o refúgio e o acampamento do lado estava superlotado. Começou a cair uma chuva fina um pouco mais tarde e cada um tomou seu rumo.
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Eu estava bem cansada, com os músculos doloridos, mas dentro do esperado. Durante o jantar, conversei com um americano e um canadense que também estavam ali pela primeira vez, ambos encantados também com tanta beleza. Depois, fui direto para caminha deliciosa para um sono restaurador.
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Para saber mais sobre os refúgios: Os refúgios ao longo do Circuito W, em Torres del Paine, Chile.
(Texto: Amandina Morbeck; fotos: Amandina Morbeck e Janaina Vieira)
Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.
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