Circuito W, Torres del Paine, Chile – dia 3

Na plaquinha no Refúgio Los Cuernos, a distância e a altimetria até o Acampamento Italiano - Circuito W, Torres del Paine, Chile - Foto: Amandina Morbeck.
Na plaquinha no Refúgio Los Cuernos, a distância (5 km) e a altimetria até o Acampamento Italiano   –                                   Foto: Amandina Morbeck.

De Los Cuernos a Paine Grande

Mais uma vez, depois do café da manhã pegamos o almoço, enfiamos na mochila e botas na trilha para um trecho longo também: 13,1 km até Paine Grande. Se quiséssemos incluir a subida até o Valle del Francés (Vale do Francês), isso aumentaria um pouco – pelo menos mais 10 km. Mas como havia um aviso no refúgio de que os acampamentos Italiano e Britânico estavam fechados por contaminação (sem que os guarda-parques tivessem especificado do que se tratava), ficamos em dúvida se haveria como deixarmos as mochilas cargueiras para fazermos a subida. Com elas nas costas era sem chance.

A chuva fina caiu do Refúgio Los Cuernos até depois do Acampamento Italiano - CircuitoW, Torres del Paine, Chile - Foto: Amandina Morbeck.
A chuva caiu do Refúgio Los Cuernos até depois do Acampamento Italiano – Foto: Amandina Morbeck.

O que acontece é que, quem não vai acampar no Britânico, conta em deixar as cargueiras na pequena sede da CONAF no Italiano para subir mais leve.  Com elas nas costas ficaria muito difícil para nós – sempre considerando nosso condicionamento físico, mas no dia anterior havíamos encontrado um casal de estrangeiros que não havia feito a subida pelo mesmo motivo, já que o camping estava fechado.

Logo que saímos do refúgio começou a chuviscar. O tempo estava bem fechado e um pouco frio. Optamos por vestir a calça impermeável também e colocar a capa na mochila. Aos poucos, a chuva aumentou. Um grande trecho dessa trilha é de pequenas pedras soltas e a caminhada exige cuidado e atenção. À exceção de uma subida quase vertical, porém curta, o relevo é de subidas e de descidas mais suaves.

Acampamento Italiano, com apenas duas barracas armadas - Foto: Amandina Morbeck. - Circuito W, Torres del Paine, Chile - Foto: Amandina Morbeck.
Acampamento Italiano, com apenas duas barracas armadas – Foto: Amandina Morbeck.

Chegamos ao acampamento Italiano, que fica num bosque com árvores altas, e na placa havia um aviso de que ele estava fechado. Paramos para comer uma barrinha de cereal, enquanto conversamos sobre o que fazer, pois não havia como deixar as mochilas ali. Além do mais, estava chuviscando ainda.

Ponte no Acampamento Italiano - Circuito W, Torres del Paine, Chile - Foto: Janaina Vieira.
Ponte no Acampamento Italiano – Foto: Janaina Vieira.

Ficamos observando o que outros trekkers estavam fazendo e decidimos não subir pro Valle del Francés, atravessando a ponte para continuarmos a trilha.

Vários trechos da trilha são cobertos por passarelas como essa - Circuito W, Torres del Paine, Chile - Foto: Amandina Morbeck.
Vários trechos da trilha são cobertos por passarelas como essa – Foto: Amandina Morbeck.

Depois de um tempo caminhando, entramos na parte do parque que foi destruída por um incêndio em dezembro/2011, que começou na região do Lago Grey e se espalhou, destruindo 7% da vegetação (veja na matéria Torres del Paine ainda tem focos de incêndio) e é de doer o coração… As árvores carbonizadas espalhadas por quilômetros ao longo da trilha ainda exalam o cheiro de madeira queimada. A vegetação rasteira está de volta em várias partes, mas a maioria das árvores estão mortas e aos poucos serão transformadas em sedimentos para o solo. E tudo isso por causa da irresponsabilidade de um turista israelense chamado Rotem Singer, de 23 anos.

Área danificada pelo incêndio de dezembro/2011; a parte borrada é resultado de um pingo d'água - Circuito W, Torres del Paine, Chile - Foto: Amandina Morbeck.
Parte da grande área danificada pelo incêndio de dezembro/2011; a parte borrada foi provocada por um pingo d’água –   Foto: Amandina Morbeck.

Faltando mais ou menos 1h para o Refúgio Paine Grande, logo depois de avistarmos o Lago Skottsberg, fomos recebidas pelo famoso vento patagônico. Em rajadas laterais de uns 40km, 50 km/hora, ele me fez cambalear muito, forçando-me a utilizar os bastões de caminhada. Há um vento de base constante, mais suave, e as rajadas vêm e vão e são bem mais intensas. Não sei como seria quando ele é mais forte, dizem que chega a 80km, 100 km/h, mas daquele jeito foi até divertido, além de muito refrescante.

Lago Skottsberg com o Maciço Paine ao fundo; é possível ver resquícios da queimada - Circuito W, Torres del Paine, Chile - Foto: Amandina Morbeck.
Lago Skottsberg com o Maciço Paine ao fundo; é possível ver resquícios da queimada – Foto: Amandina Morbeck.

A chuva já tinha parado a essa altura, mas o tempo estava fechado. Eu já não vestia mais a calça impermeável por cima da calça de trekking, pois esquenta muito. Uma camiseta, a segunda pele, um fleece fino e o anorak foram suficientes para manter a temperatura corporal sob o vento, mesmo quando parava para fazer fotos.

Lago Pehoé e o Refúgio Paine Grande a distância - Circuito W, Torres del Paine, Chile - Foto: Amandina Morbeck.
Lago Pehoé e o Refúgio Paine Grande a distância – Foto: Amandina Morbeck.

Pouco antes das 15h o Lago Pehoé e o Refúgio Paine Grande, entre o lago e a montanha Paine Grande, surgiram a distância, formando uma paisagem maravilhosa – trilha cercada com plantas e flores, o lago com uma cor incrivelmente linda, as montanhas… Diminuí o ritmo da caminhada para curtir o visual. Parecia cena de filme.

Barco que faz o trajeto Pudeto/Paine Grande/Pudeto atravessando o Lago Pehoé - Circuito W, Torres del Paine, Chile - Foto: Amandina Morbeck.
Barco que faz o trajeto Pudeto/Paine Grande/Pudeto atravessando o Lago Pehoé – Foto: Amandina Morbeck.

Depois do check-in e de um banho quente, de roupas limpas e quentinha, saí para curtir mais o vento, para ver a área de camping e para fotografar. O barco das 18h30 chegou depois para trazer trekkers de Pudeto e para levar os que estavam em Paine Grande para lá. Por um momento houve uma agitação de mochileiros passando em passos rápidos, para depois sossegar de novo enquanto o barco zarpava de volta. No dia seguinte seria a nossa vez de fazer aquele trajeto. O trekking estava chegando ao fim.

Essa é a uma parte da paisagem a partir da entrada do Refúgio Paine Grande - Circuito W, Torres del Paine, Chile - Foto: Amandina Morbeck.
Essa é a uma parte da paisagem a partir da entrada do Refúgio Paine Grande. Maravilhosa, não? – Foto: Amandina Morbeck.

No amplo restaurante do refúgio – de um lado com vista para o lago, do outro com vista para as montanhas – fizemos nosso último jantar do trekking e comemoramos merecidamente nosso feito, considerando principalmente que duas amigas haviam colocado mochila nas costas pela primeira vez e que, até o convite feito por mim, nunca haviam ouvido a palavra trekking. Meu corpo estava cansado, mas eu estava numa alegria muito grande. Restava apenas a caminhada até o Lago e a Geleira Grey, no dia seguinte, antes do retorno à civilização.

(Leia também: Brasileiro morreu em Torres del Paine)

Nosso jantar essa noite foi o mais gostoso até então. Teve até salada! O vento soprava forte lá fora, deitando a vegetação ao redor do refúgio. Eu olhava tudo aquilo pela janela e pensava no quanto de lindo havia visto nesses dias desde a chegada ao parque. Tive vontade de não ter sono para aproveitar mais nossa última noite ali, mas não teve jeito. O cansaço me venceu cedo.

Leia o relato dos outros dias do trekking. Clique nos títulos para acessar:

– Circuito W, dia 1

– Circuito W, dia 2

– Circuito W, dia 4

Para saber mais sobre os refúgios: Os refúgios ao longo do Circuito W, em Torres del Paine, Chile.

Adquira nosso guia – clique na capa para saber mais

Guia Circuito W Torres del Paine Chile. Patagônia Chilena.

(Texto: Amandina Morbeck; fotos: Amandina Morbeck e Janaina Vieira)


Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.


Receba nossas novidades por e-mail. Para isso, é só preencher seus dados abaixo e clicar em “Enviar”. Ficaremos contentes de ter você em nossa lista!


    Posts relacionados (clique nos títulos para acessá-los):

    – Finalmente, o Circuito W em Torres del Paine, Chile

    – Como organizei o trekking no Circuito W em Torres de Paine, Chile

    – O que levei para fazer o trekking no Circuito W em Torres del Paine, Chile

    – Como chegar a Torres del Paine, Chile

    – Cueva del Milodón, Puerto Natales, Chile

    – Isla Magdalena, Punta Arenas, Chile

    – Puerto Natales e Punta Arenas, Chile

    Restaurantes, bar e café que recomendo na Patagônia Chilena:

    – Afrigonia – Puerto Natales, Chile

    – Angelica’s – Puerto Natales, Chile

    – El Living – Puerto Natales, Chile

    – Baguales – Puerto Natales, Chile

    – Café Ñhandu – Puerto Natales, Chile

    – La Marmita – Punta Arenas, Chile


    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Rolar para cima