
Lago e Geleira Grey – no Circuito W, Torres del Paine – e, depois, o retorno a Puerto Natales
Saímos às 8h do refúgio. Um grupo saiu um pouco a nossa frente e uma das mulheres levava o filho pequeno numa mochila-cadeira. Ele estava alegre e sorridente e fiquei imaginando que maravilhoso ter a oportunidade de vivenciar esse contato tão próximo com a natureza tão novinho assim. Eles também seguiram em direção ao lago. Isso mostra que é possível, sim, levar crianças para atividades outdoor.

Esse foi o dia mais tranquilo, pois estava apenas com a mochila de ataque, mas ainda assim o relevo em direção ao lago é de subida, o vento estava forte e frio e a paisagem ao redor não é tão bonita até chegarmos Lagoa dos Patos. Depois dela, tudo muda e tem um trecho que a trilha passa bem perto da água.

De alguns pontos dá para ver as montanhas com gelo e quando o Lago Grey aparece, veem-se também blocos de gelo de vários tamanhos que se espalham por ele. Na foto não dá para se ter ideia do tamanho que são, mas alguns são imensos.

Depois de uma subida longa, abre-se a vista para outra parte do lago e da geleira de cujo derretimento ele é formado. É lindo demais! Dá vontade de correr até o mirante logo à frente, que é alcançado depois de uma descida e outra subida suave. Até esse ponto fizemos uns 6 km.

Do mirante a vista é bem mais privilegiada. Foi a primeira vez que vi uma geleira ao vivo e em cores e me impressionou muito. O vento que soprava era forte, cortante e muito, muito frio. Mesmo agasalhadas, não conseguimos ficar mais que meia hora ali, mas foi o suficiente para curtirmos toda aquela beleza, que me fez sentir novamente o quão pequenos somos diante da natureza.

Pegamos a trilha de volta. Pelo caminho há poucos pontos de água, mas o trajeto também é curto. Como não descemos até a borda do lago, ficando apenas no mirante, fizemos ida e volta em 4h20, uns 11 km ao todo, tempo suficiente para chegarmos ao Refúgio Paine Grande, pegarmos nossas mochilas e tomarmos o barco – que chega às 12h30 ao píer – para Pudeto (saindo às 13h). Primeiro, descem as pessoas que vão ficar no Paine Grande, depois é a vez das mercadorias e só então é feito o embarque.

Chegamos a Pudeto e o ônibus da Buses Gomez estava esperando. Entregamos os vouchers e embarcamos. O sol estava muito quente a essa altura. De lá, o ônibus passou em Laguna Amarga para pegar mais passageiros e só depois seguimos em direção a Puerto Natales. Foi legal porque conheci outras partes do parque, ainda que a distância, como o Lago Sarmiento, que tem uma cor azul maravilhosa.

Chegamos à cidade por volta das 16h30 e foi engraçado. Como relatei anteriormente, não existe rodoviária nem em Punta Arenas nem em Puerto Natales. Então, quando chegamos o motorista estacionou o ônibus na rua e todos nós, passageiros, continuamos sentados, olhando pela janela. No meu caso, pensei que alguém iria descer ali. De repente, o motorista abre a porta e fala bem alto: “Llegamos ao terminal”. Terminal, que terminal? Descemos todos ali, na calçada, pegamos as mochilas e cada um tomou seu rumo. E assim chegou oficialmente ao fim o maravilhoso e inesquecível trekking no Circuito W.
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Caminhamos até a agência do Buses Gomez para buscar as coisas que deixamos lá e depois fomos pro Hostal Carlitos, um albergue que havia reservado ainda no Brasil (como fiz com os outros em Punta Arenas), e que foi muito legal. Embora simples, era limpo e a proprietária, os empregados e sua família eram muito simpáticos. Como havia serviço de lavanderia, pedi para lavarem pelo menos as roupas que usei nos quatro dias de trekking e que estavam fedendo.
Depois do banho, uma surpresa: a calça que havia deixado para vestir depois do trekking não me servia mais, estava caindo. Tive de comprar outra no dia seguinte, um número menor. (rs) Além da diversão e de tudo de maravilhoso que vivenciei, ainda fiquei mais fit. Nada mal. Ficamos dois dias em Puerto Natales, descansando e aproveitando outros passeios e os bons restaurantes que ela abriga antes de fazermos o caminho de volta para casa com o corpo cansado, mas com coração feliz e com novas lembranças na bagagem.
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Leia o relato dos outros dias do trekking. Clique nos títulos para acessar:
Para saber mais sobre os refúgios: Os refúgios ao longo do Circuito W, em Torres del Paine, Chile.
(Texto: Amandina Morbeck; fotos: Amandina Morbeck, Janaina Vieira e Sindai Araújo)
Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.
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– El Living – Puerto Natales, Chile
– Baguales – Puerto Natales, Chile
– Café Ñhandu – Puerto Natales, Chile
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muito obrigada!!! Vou rever a possibilidade de levar a mochila de ataque.
Oi, Hidemi, tudo bem? Fico contente que tenha gostado do post. Sobre a mochila de ataque, leve apenas se for algo como a Ultra-Sil da Sea to Summit (http://seatosummit.com.br/produto/ultra-sil-daypack/). Caso contrário, não carregue peso extra. Bom trekking para você!
Ótimo relato! Parabéns. Ficarei em camping, então foi bom ver a estrutura do lugar.
Acha que é bom levar uma mochila de ataque ou é pouco usada?