
Quando visitar Gonçalves, sul de Minas Gerais, coloque em seu roteiro: experimentar a truta servida na Trutaria Lago Azul. É sério! Nada como saborear essa iguaria, servida ali com molho a sua escolha – curry, amêndoas, alcaparras e, se for época, pinhão -, sabendo que foi criada a 1.800 m de altitude em tanques por onde circulam água limpa e gelada que desce de nascentes da montanha. Além disso, é possível ver várias etapas do crescimento desse peixe – um passeio divertido e educativo, principalmente para crianças.

Seus proprietários, Altair e Maria, são muito receptivos e colocam a mão na massa para prestar o melhor atendimento fazendo o que curtem: cuidar das trutas, cozinhá-las e servi-las aos fregueses – Maria fica na cozinha e Altair atende às mesas, muitas vezes com auxílio do filho deles, Julio.

Na truticultura – criação de trutas – que praticam não há uso de agrotóxicos e Altair é um apaixonado por essa arte, que realiza há quase 30 anos. Quando se interessou por ela não havia literatura em língua portuguesa sobre esse tema e ele precisou recorrer a livros em língua espanhola. Autodidata, com a prática foi adquirindo o conhecimento que hoje lhe permite criar e exportar mais de 90% (em torno de 300 mil por ano!) dos alevinos, fecundados nos ovos que retira das matrizes.

As matrizes vivem uns cinco anos e a cada ano, no mês de maio, são retiradas do tanque para desova, que é feita manualmente. É preciso apertar a barriga delas para expulsão dos ovos. Depois disso, são devolvidas ao tanque, de onde só saem no ano seguinte. Sobre esse processo, Maria conta, com carinho, como acontece: “Apenas de ano em ano revemos as matrizes e é um reencontro. Como pegamos cada uma nas mãos para desova, quando estão muito agitadas converso com elas para se acalmarem. Passa um pouco, elas acalmam e aí começo a trabalhar”.

Depois disso, eles misturam os ovos com os espermas, esperam a fecundação e, sem fungicida, delicadamente separam um a um os ovos não fecundados (gorados) dos que foram fecundados corretamente. Isso é feito com pinças de bambu feitas por Altair. Agora, imagine o trabalho que isso dá, já que cada matriz tem de 3.000 a 4.000 ovos. Nessa fase, contam com a ajuda do filho Julio, hoje com 21 anos, que cresceu vendo os pais realizarem esse trabalho, até somar sua mão de obra ao negócio familiar.

Com o tempo eles foram fazendo seleção e hoje seus tanques são repletos de trutas albinas. As próximas? Trutas azuis, cuja população aumenta a cada ano. Se quiser, você pode conhecer os tanques e toda a estrutura para criação e também levar trutas congeladas para casa.

Em 2010 eles construíram dois chalés confortáveis, com lareira, para ser alugados. Eles ficam na parte alta do terreno, de onde se tem uma vista privilegiada. A 1.800 m de altitude, são ideais para quem quer curtir o friozinho da montanha, principalmente no inverno.

Para chegar até lá é bem fácil: saia de Gonçalves em direção ao Sertão do Cantagalo e à Camanducaia e dirija por 13 km na estrada de terra – há placas no caminho.
Para contato: e-mail – trutalagoazul@bol.com.br / celulares – (035) 99982-5498 – Altair / (035) 99828-0501 – Julio.
(Texto e fotos: Amandina Morbeck)
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Muito Bommmmm recomendo a todos,,,,,Maravilhoso,,,,Lindo por Natureza,,,Gente melhor ainda….
Já fui 2 vezes. MARAVILHOSO!!!!!!