
Nosso propósito no primeiro dia de travessia dos Lençóis Maranhenses havia sido cumprido. Agora, era hora de começar o segundo dia. Acordamos cedo de novo, tomamos café, nos despedimos da família em Queimada dos Britos e às 4h30 recomeçamos a caminhada.
De Queimada dos Britos a Atins
Ainda estava escuro quando saímos. A intenção era caminhar o máximo que pudéssemos antes do sol ficar forte. Refletido na areia, ele queimava ainda mais. Poucas tempo depois, vimos o dia nascer e, mais à frente, com água pela cintura e correnteza forte, cruzamos o Rio Negro, que atravessa as dunas em direção ao mar. Nesse ponto, nos despedimos de Ribamar, que voltou para Queimada.

No meio da manhã caiu uma chuva muito mais forte que a do dia anterior, com ventos que quase nos carregavam, o que dificultou muito a caminhada. O céu ficou nublado depois, o que foi bom, pois não tivemos mais sol, embora o mormaço também drenasse nossa energia. Essa parte da travessia tinha dunas bem mais altas e depois de algum tempo, avistamos o mar à esquerda, cujo barulho ouvíamos de longe. Fizemos mais paradas que no dia anterior e brincamos mais nas dunas também, subindo e escorregando ou rolando até sua base. As bolhas nos meus pés incomodavam muito.

Após umas 8 horas de caminhada o cansaço era visível em todos nós, mas procurávamos nos animar, contando histórias, dando risadas e caminhando no ritmo de quem estivesse mais lento. Internamente eu gerenciava minha quase exaustão procurando manter uma atitude positiva, vencendo os limites físicos a cada passo e pensando que “estávamos mais perto do que longe”. Minhas pernas e meus pés doíam muito e, como Erika e Pedro, já estava meio que arrastando-os.

Finalmente, avistamos as choupanas de pescadores de Canto do Atins, à beira-mar. Aí, sim, cedi ao cansaço e falei em alto e bom tom sobre ele. Erika também compartilhou o quanto estava no fim das forças. Mais alguns passos e chegamos até a lagoa mais próxima da vila. Deixamos as mochilas e nos jogamos dentro dela, sem pressa. Tínhamos andado 35 km em mais de 11h até ali! Depois de recuperarmos um pouco a energia, chegamos à Pousada da Luzia, onde celebramos nosso feito com uma breja gelada e algumas porções de peixe e de camarão.

Mais tarde, seguimos num 4×4 até a Pousada Rancho dos Lençóis, no povoado de Atins, onde pernoitamos. Havia tantos pernilongos naquele lugar que faltavam nos carregar. Jantei cedo e fui dormir, contente demais por ter terminado a travessia, por ter visto tanta beleza e por ter vencido os desafios físicos e psicológicos da empreitada. Ali, já comecei a sentir saudade daquele lugar mágico.
(Veja como foi o primeiro dia de travessia dos Lençóis Maranhenses.)

Na manhã seguinte, começamos a descida pelo Rio Preguiças (veja como foi de Atins a Barreirinhas).
(Texto: Amandina Morbeck; fotos: Amandina Morbeck e Erika Corrêa)
(Encontrei um relato de junho/2013 de uma pessoa que fez a travessia em 3 dia no sentido contrário ao nosso, ou seja, começou em Atins e terminou em Barreirinhas – acesse aqui.)
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Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.
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