Travessia dos Lençóis Maranhenses – dia 2

Cabras resistem bem ao clima inóspito dos Lençóis Maranhenses - Travessia dos Lençóis Maranhenses - dia 2 - Foto: Amandina Morbeck.
Cabras resistem bem ao clima inóspito da região.

Nosso propósito no primeiro dia de travessia dos Lençóis Maranhenses havia sido cumprido. Agora, era hora de começar o segundo dia. Acordamos cedo de novo, tomamos café, nos despedimos da família em Queimada dos Britos e às 4h30 recomeçamos a caminhada.

 

De Queimada dos Britos a Atins

Ainda estava escuro quando saímos. A intenção era caminhar o máximo que pudéssemos antes do sol ficar forte. Refletido na areia, ele queimava ainda mais. Poucas tempo depois, vimos o dia nascer e, mais à frente, com água pela cintura e correnteza forte, cruzamos o Rio Negro, que atravessa as dunas em direção ao mar. Nesse ponto, nos despedimos de Ribamar, que voltou para Queimada.

Vimos o sol nascer no segundo dia de caminhada - Travessia dos Lençóis Maranhenses - dia 2 - Foto: Erika Corrêa.
Vimos o sol nascer durante a caminhada.

No meio da manhã caiu uma chuva muito mais forte que a do dia anterior, com ventos que quase nos carregavam, o que dificultou muito a caminhada. O céu ficou nublado depois, o que foi bom, pois não tivemos mais sol, embora o mormaço também drenasse nossa energia. Essa parte da travessia tinha dunas bem mais altas e depois de algum tempo, avistamos o mar à esquerda, cujo barulho ouvíamos de longe. Fizemos mais paradas que no dia anterior e brincamos mais nas dunas também, subindo e escorregando ou rolando até sua base. As bolhas nos meus pés incomodavam muito.

Caminhar com bolhas nos pés não foi nada confortável - Travessia dos Lençóis Maranhenses - dia 2 - Foto: Erika Corrêa.
Caminhar com bolhas nos pés não é nada fácil.

Após umas 8 horas de caminhada o cansaço era visível em todos nós, mas procurávamos nos animar, contando histórias, dando risadas e caminhando no ritmo de quem estivesse mais lento. Internamente eu gerenciava minha quase exaustão procurando manter uma atitude positiva, vencendo os limites físicos a cada passo e pensando que “estávamos mais perto do que longe”. Minhas pernas e meus pés doíam muito e, como Erika e Pedro, já estava meio que arrastando-os.

Depois de 11h de caminhada, chegamos a Canto do Atins nos Lençóis Maranhenses - Travessia dos Lençóis Maranhenses - dia 2 - Foto: Erika Corrêa.
Mais de 11h de caminhada depois, avistamos Canto do Atins.

Finalmente, avistamos as choupanas de pescadores de Canto do Atins, à beira-mar. Aí, sim, cedi ao cansaço e falei em alto e bom tom sobre ele. Erika também compartilhou o quanto estava no fim das forças. Mais alguns passos e chegamos até a lagoa mais próxima da vila. Deixamos as mochilas e nos jogamos dentro dela, sem pressa. Tínhamos andado 35 km em mais de 11h até ali! Depois de recuperarmos um pouco a energia, chegamos à Pousada da Luzia, onde celebramos nosso feito com uma breja gelada e algumas porções de peixe e de camarão.

Poucos metros à frente, em Canto do Atins, a travessia dos Lençóis Maranhenses chegou ao fim - Foto: Erika Corrêa.
Poucos metros à frente a travessia chegou ao fim.

Mais tarde, seguimos num 4×4 até a Pousada Rancho dos Lençóis, no povoado de Atins, onde pernoitamos. Havia tantos pernilongos naquele lugar que faltavam nos carregar. Jantei cedo e fui dormir, contente demais por ter terminado a travessia, por ter visto tanta beleza e por ter vencido os desafios físicos e psicológicos da empreitada. Ali, já comecei a sentir saudade daquele lugar mágico.

(Veja como foi o primeiro dia de travessia dos Lençóis Maranhenses.)

Em Canto do Atins, o começo do descanso merecido - Travessia dos Lençóis Maranhenses - dia 2 - Foto: Amandina Morbeck.
Descanso merecido para todos.

Na manhã seguinte, começamos a descida pelo Rio Preguiças (veja como foi de Atins a Barreirinhas).

(Texto: Amandina Morbeck; fotos: Amandina Morbeck e Erika Corrêa)

(Encontrei um relato de junho/2013 de uma pessoa que fez a travessia em 3 dia no sentido contrário ao nosso, ou seja, começou em Atins e terminou em Barreirinhas – acesse aqui.)

 

Posts relacionados (clique nos títulos para acessá-los):

Os povos da areia

Alcântara, Maranhão


Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.


Receba nossas novidades por e-mail. Para isso, é só preencher seus dados abaixo e clicar em “Enviar”. Ficaremos contentes de ter você em nossa lista!


    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Rolar para cima