
Chegamos a Diamantina à noite no começo deste mês de maio, vindos de Belo Horizonte. De diferentes partes do Brasil – Santos, São Paulo, Curitiba, Camboriú, Rio de Janeiro e Belo Horizonte -, estávamos ali a convite do Instituto Estrada Real, com sede em Belo Horizonte e criado pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), para conhecermos o potencial do Caminho dos Diamantes, porção da Estrada Real, como roteiro para quem curte cicloturismo – e também off-road, cavalgada e caminhada. Os organizadores do projeto, batizado de Fambike, e funcionários do instituto, Rodrigo Almeida e Marcelo Faria, também estavam presentes para pedalar todos os dias.

Sem conseguir ficar quieta, dei uma perambulada pelas ruas silenciosas dessa cidade que, em 1713, foi fundada como um povoado batizado de Arraial do Tejuco. Em 1729, a descoberta de diamantes nos arredores impulsionou seu crescimento, fazendo com que, no fim do século 18, tivesse a terceira maior população do que então era conhecido como Capitania Geral das Minas. Nela, morou Chica da Silva, escrava alforriada, e sua casa hoje é um ponto turístico, bem com a de Juscelino Kubitscheck, que nasceu ali. Em 1999, a cidade foi tombada pela ONU como patrimônio da humanidade.

Quantas histórias, não? E há muitas outras espalhadas por suas ruas, por seus casarões, por suas igrejas, por seus becos, bem como nas várias outras cidades e distritos ao longo dos 390 km do Caminho dos Diamantes, porção da Estrada Real que liga Diamantina a Ouro Preto, passando por várias outras cidades e distritos num roteiro cercado por belezas naturais, tradição, cultura, história, curiosidades, culinária típica e muito mais.

Fizemos o percurso em cinco dias – do total, a galera pedalou 200 km; os outros 190 km foram feitos de carro, com as bikes na carretinha, por causa da limitação de tempo. O ideal para percorrê-lo de bike são pelo menos 10 dias, sem pressa. Eu deveria me juntar aos outros nove ciclistas e pedalar também, mas acabei optando por seguir no carro de apoio da Nerea para coletar material – fotos, vídeos e informações – para fazer meus relatos depois.

Esse caminho, como os outros que fazem parte da Estrada Real, tem marcos de cimento enterrados a cada 2 km para guiar o visitante. Na estrada ou na cidade é preciso observar o lado em que ele estiver enterrado, que indica a direção para onde se deve virar ou seguir (direita, esquerda ou em frente). Não há como se perder. Anualmente, funcionários do Instituto Estrada Real percorrem todos os trechos para fazer manutenção.
Qualquer que seja a opção de viajar, planejamento é importante, pois há muitos quilômetros sem nenhum tipo de apoio entre as cidades e os lugarejos. Estimar o tempo que se vai gastar entre cada um deles e o que é preciso faz parte desse planejamento, bem como comunicar sua família ou seus amigos sobre todo o roteiro e sua finalização.

Setenta e quatro por cento de sua extensão ainda é de estradas de terra (que eu adoro!) com pouco tráfego de veículos – à exceção dos pontos – felizmente curtos – onde há exploração de minério, quando há bastante trânsito de caminhões. Nos trechos asfaltados é preciso manter a atenção, pois não há acostamento, bem como na chegada às cidades. Os 11 km que separam Mariana de Ouro Preto exigem cuidado redobrado por causa do movimento, das curvas e do fato de a estrada ser bem estreita, tanto que há pontos em que só se passa um veículo.
Recomendo que o Caminho dos Diamantes não seja feito à noite em nenhuma circunstância. Para quem não tem costume de viajar sozinho, o ideal é percorrê-lo na companhia de outra(a) pessoa(s) ou contratar os serviços de uma operadora que ofereça esse roteiro para pedalar (ou praticar outras atividades) com mais segurança.

A melhor época para percorrê-lo é de maio a agosto, com tempo seco e frio. E se for pedalar ou caminhar, prepare-se bem fisicamente, pois o relevo exige bastante dos músculos e da parte cardiorrespiratória.

Há tanto para se ver no Caminho dos Diamantes

Há muita história ao longo da estrada, nas cidades e nos distritos por onde passamos – que estão marcados no mapa (clique aqui para visualizá-lo). Há muitas subidas e descidas no percurso, afinal, Minas Gerais é assim, marcada por relevo irregular. Além disso, o Caminho dos Diamantes segue ao longo da Serra do Espinhaço, considerada reserva da biosfera pela Unesco desde 2005 e responsável por muitas das belas paisagens que nos cercam durante o trajeto.

Nos lugares por onde passamos, sempre há algo interessante para se ver, como igrejas, museus, monumentos, calçamentos do período colonial, casarões ou cachoeiras. Interagir com os moradores dá um tempero especial ao roteiro.

Por falar em tempero, as comidas típicas que comemos nesses dias deixaram saudade, como frango com quiabo, tutu de feijão, feijão tropeiro, polenta, carne de porco, pudim de leite e doce de leite com queijo, entre outras delícias – clique aqui e veja algumas que experimentei ao longo do Caminho dos Diamantes..

Dormir no Santuário do Caraça e esperar o lobo-guará à noite, quando, receoso, aparece para abocanhar o jantar; ver o por do sol do alto da Serra da Piedade; tomar mate couro e comer uma comida bem caseira no bar do Ademil, em São Gonçalo do Rio das Pedras; esquecer do tempo curtindo a vista do vale antes de chegar a Tapera; refrescar-se nas piscinas naturais e na cachoeira em Milho Verde; sentir-se pequeno diante da grandeza da montanha que protege Morro da Água Quente; ver as pinturas rupestres no Sítio Arqueológico da Pedra Pintada, no distrito de Cocais; conhecer o bicame de pedra; trocar um dedinho de prosa com algumas pessoas que encontrei pelo caminho; e curtir o conforto e o aconchego de pousadas como a Lava-pés em Itambé do Mato Dentro, a Sinhá Olímpia em Ouro Preto ou o Pouso da Chica em Diamantina, entre tantas outras experiências, agora fazem parte de minha bagagem e são lembranças que guardarei com muito carinho do Caminho dos Diamantes.

Seu significado tornou-se ainda mais relevante porque aqueles desconhecidos que se viram pela primeira vez dias antes, no fim era uma galera unida, brincalhona, que dava força um pro outro no meio do pedal, que estava ali para ajudar quando uma corrente quebrava, um pneu furava ou alguém ficava mais para trás. Nossos almoços e jantares eram alegres, com muitas histórias para compartilhar.
Quando nos despedimos no último dia, fiquei com um nó na garganta e espero reencontrá-los um dia.

Gostei tanto, tanto, mas tanto do que vi e vivenciei no Caminho dos Diamantes que, de volta a São Paulo, comecei a planejar para conhecer os outros três caminhos da Estrada Real: o Velho, o Novo e o dos Sabarabuçu (veja mais detalhes no site do Instituto Estrada Real). O pessoal do instituto fornece informações sobre eles a quem solicitar, ajuda na elaboração de roteiros e as planilhas de cada um podem ser descarregadas do site, tudo isso para facilitar o planejamento de quem quer se aventurar por esses locais históricos.
Portanto, programe-se e conheça mais do Brasil e de nossa história, ajudando a preservá-la. Vá de bike, a cavalo, a pé ou num 4×4, mas vá!

(Texto: Amandina Morbeck; fotos: Amandina Morbeck e Nilton Nerea)
Clique nos títulos para acessar os vídeos:
– Pedal no Caminho dos Diamantes, Estrada Real – 5 dias (6min22s, 4min36s, 9min21s, 10min23s, 8min41s)
– Santuário do Caraça, Catas Altas (2min41s)
| Outras informações |
– Apoios recebidos: CURTLO e Tripp Aventura – confira aqui.
– Conheça também o projeto Vivendo a Estrada Real (VER), uma iniciativa do Sesi/MG em parceria com o Instituto Estrada Real para promover os atrativos naturais e históricos, a culinária e as tradições nos municípios de Barão de Cocais, Caeté, Catas Altas e Santa Bárbara.
– O programa Mais Ação, da TV Minas (que passa na TV Brasil para o resto do País às quintas-feiras às 17h30 e aos sábados às 15h [inédito]), mostrará esse percurso, pois a apresentadora Juliana Franqueira e sua equipe participou do Fambike. E ela pedalou mesmo todos os dias.
Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.
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Olá, muito obrigada por seu elogio. Espero que sua viagem pelo Caminho dos Diamantes seja muito agradável e que você aproveite muito. Seus comentários quando voltar serão bem-vindos aqui. Um abraço.
Oi, Flávio, o importante é colocar os pés na estrada, ter vontade de conhecer e de explorar novos lugares. Espero que vocês gostem tanto quanto eu. 🙂 Um abraço.
Muito uteis as dicas do site. Pretendo percorrer o Caminho dos Diamantes em breve. Depois conto aqui como foi.
LINDO ESSE CAMINHO. PRETENDO PERCORRÊ-LO COM MINHA ESPOSA. NO ENTANTO, FÁ-LO-EMOS DE CARRO. JÁ TEMOS IDADE.
meu trabalho vai ficar ótmo com essas dicas ^^
O pedal de SÃO BARTOLOMEU x GLAURA é imperdível, mas tem de ser organizado o hango pq nenhum dos dois lugarejos tem refeição, sem ser nos finais de semana e feriados.
Um must – pelo parque do Itacolomy, pedal até Lavras Novas e muito mais………:)
As serras de Minas encantam e enrijecem os músculos que nos deslocam nos pedais inesquecíveis!
vai se preparando!
Geovane Rento providencie tempo pra essa!
MUITO LINDO>>>>.