Pantanal Mato-grossense na cheia

No dia que chegamos e no dia que saímos encontramos um jacaré nesse mesmo lugar. Seria o mesmo? - Pantanal Mato-grossense na cheia - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
No dia que chegamos e no dia que saímos, encontramos um jacaré nesse lugar. Seria o mesmo? –                                          Foto: Amandina Morbeck.

Como relatei nos outros posts sobre os pantanais, depois da primeira visita na seca eu queria muito conhecer o Pantanal Mato-grossense na cheia – e também sonhava em ver onça-pintada em seu habitat natural. Aproveitando uma promoção da TAM em voo São Paulo/Cuiabá, em fevereiro/2013 lá estava eu de novo. No fim, os dois sonhos foram concretizados.

As chuvas fazem diferença na paisagem do Pantanal Mato-grossense na cheia - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
As chuvas fazem diferença na paisagem do Pantanal Mato-grossense – Foto: Amandina Morbeck.

O único “porém” que faço é em relação ao período que escolhi, quando os mosquitos quase carregam as pessoas  (veja mais detalhes no fim deste post) na área que fiquei, o último lodge na Transpantaneira, localizado no km 110, onde ainda há matas, menos ocupação humana e áreas de preservação. Onde está esse lodge, por exemplo, era uma fazenda que foi transformada em reserva para proteção de várias espécies, como jaguatirica e onça-pintada.

Capivaras andam sossegadamente na Transpantaneira - Pantanal Mato-grossense na cheia - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Janaina Vieira.
Capivaras andam sossegadamente na Transpantaneira – Foto: Janaina Vieira.

Mas deixe-me lhe contar toda a história.

Três amigas e eu voamos de São Paulo para Cuiabá. Do aeroporto, fomos num carro alugado até Poconé e, de lá, até o lodge. Assim que entramos na estrada, vi a diferença na paisagem do Pantanal durante a cheia, com as laterais inundadas em várias partes, as cercas quase encobertas pela água e muitas árvores apenas com a copa para fora dela. A estrada estava mais barrenta e perto de uma ponte havia um pequeno transbordamento. Nada que impedisse a passagem, porém, pois por sorte não havia chovido aquele dia – há alguns trechos, principalmente na altura do km 65 (Rio Pixaim) e depois dele que são mais difíceis para carros pequenos na época das chuvas.

Chalé onde fiquei no lodge - Pantanal Mato-grossense na cheia - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Chalé onde fiquei no lodge – Foto: Amandina Morbeck.

Como aconteceu da primeira vez que estive lá, a noite caiu conosco ainda na Transpantaneira – escurece muito cedo naquela região. Quando chegamos ao lodge e descemos do carro, levamos um susto com a quantidade de mosquitos que começaram a nos picar, uma nuvem de ataque. (rs) O pessoal tirou nossas malas do carro e fomos levadas rapidamente até os chalés. Ufa! Ainda assim, como alguns entraram conosco, pregados em nossa roupa ou no vácuo, tivemos de borrifar inseticida dentro do chalé. As janelas tinham tela de proteção e dava pra vê-los pousados ou voando do lado de fora.

Ela e suas amigas visitam o lodge todas as manhãs, mas ficam bem no alto - Pantanal Mato-grossense na cheia - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Ela e suas amigas visitam o lodge todas as manhãs, mas ficam bem no alto – Foto: Amandina Morbeck.

Passado esse agito inicial, comecei a prestar atenção aos sons noturnos. Que fantástico! Peguei a lanterna e apontei para a parte do fundo da construção, que tinha uma porta telada, e vi que havia uma mata. A maior parte dos sons vinha dali. Adoro a natureza, e um dos aspectos que mais me encanta é essa vida que acontece longe dos nossos olhos. A noite mostra bem isso, quando tudo se aquieta mais e outros seres vivos continuam sua “rotina” existencial.

Paisagem do Pantanal Mato-grossense na época das chuvas - www.viajandocomaman.com.br Foto: Amandina Morbeck.
Paisagem do Pantanal na época das chuvas – Foto: Amandina Morbeck.

Durante o jantar, combinamos com o proprietário e guia do lodge, Eduardo Falcão, o que faríamos no dia seguinte: o primeiro passeio de barco pelo Rio Cuiabá. Ficaríamos livres dos mosquitos e, além dos animais e das aves que veríamos ao longo do rio, avistamentos de onça-pintada são o ponto alto desses passeios. Mas ele nos avisou que seria muito difícil ver uma por causa da época, pois na cheia elas ficam mais ariscas. Tudo bem, pensei, só de estar ali naquele lugar que tanto gosto já era um presente. E dessa vez eu veria uma porção diferente dele em direção a Porto Jofre. Fui dormir embalada pelos sons noturnos e pensando no quanto tínhamos andado aquele dia para chegarmos até ali.

Transpantaneira em frente ao lodge - Pantanal Mato-grossense na cheia - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Transpantaneira em frente ao lodge; a vegetação aqui é de mata – Foto: Amandina Morbeck.

O lodge, localizado numa área mais preservada, tem uma estrutura superespartana com o essencial: chalés com banheiro, água quente por aquecimento solar (nem experimentei porque o clima é quente, mas uma de minhas amigas disse que não funcionava bem), camas com colchão fino de espuma, roupas de cama coloridas de tecido entre tergal e algodão, janelas e portas que também são teladas, gerador de energia que funciona por períodos (lanterna é sempre bem-vinda), ventilador de teto, três refeições diárias feitas com a simplicidade pantaneira e muita simpatia do proprietário – que é um dos guias – e do staff. Não tem TV nem sinal de celular – mas há um celular com antena para emergência, embora seu funcionamento dependa da quantidade de nuvens no céu – simples assim. Ali, a vida realmente tem outro ritmo.

Ficamos 4 noites e 3 dias e adorei!

Voo solitário de um biguá - Pantanal Mato-grossense na cheia - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Voo solitário de um biguá – Foto: Amandina Morbeck.

Agora, se mesmo por poucos dias você não consegue ficar sem conforto, sem TV, sem refeições elaboradas, sem lençóis de algodão, sem cama com molas etc. e ainda ser picado(a) por mosquitos (pois mesmo quando não é época de chuvas eles sempre aparecem, ainda que em beeeeeeem menos quantidade), esse não é o lugar para você. Não há nenhum problema em relação a isso, é uma questão de perfil. A proposta desse lodge é outra: é explorar as beleza do Pantanal o dia todo e trazer os hóspedes esbudegados, no fim da tarde, para comer e dormir. (rs)

Acapamento para pescadores em Porto Jofre, de onde saímos para os passeios fluviais - Pantanal Mato-grossense na cheia - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Acapamento para pescadores em Porto Jofre, de onde saímos para os passeios fluviais – Foto: Amandina Morbeck.

Bom, mas voltando a nossa história: no dia seguinte lá fomos nós pro primeiro passeio de barco sem grandes expectativas. E qual não foi nossa surpresa quando, na metade dele, afobadamente o guia nos chamou a atenção para uma movimentação diferente sob as árvores do lado direito do rio. E lá estava ela, a onça-pintada! Ou melhor, elas – ou eles, não sei. Foi muita emoção!

Veja como foram os passeios e esse encontro inesperado em Passeios de barco no Pantanal Mato-grossense na cheia.

 

Os mosquitos de dezembro a março

Eles são muitos (e enfatizo: muitos!) e também resistentes (resistentes mesmo!) a repelentes como Off ou Repelex (Exposis é mais recomendado), o que tornava muito difícil ficar nas áreas externas ao redor do lodge. De acordo com seu proprietário, só quando a água subisse por ali é que eles desapareciam. E realmente, distante uns 10 km dali em direção a Porto Jofre, numa área que ele chama de alagado, os mosquitos eram quase inexistentes. No porto, à beira do Rio Cuiabá, eles também estavam a todo vapor. Nos passeios de barco ou de carro não havia problemas por causa do vento, mas o que aprendi foi: como os mosquitos se reproduzem entre dezembro e março, conforme informação do Eduardo, o melhor talvez seja evitar visita ao Pantanal nessa época.

Agora, como tudo tem dois lados, o fato de ser época de chuva, de ter menos movimento nas estradas (pois a temporada de pesca começa em março), a chance de ver animais e aves ocupando a Transpantaneira é muito maior – e vimos muitas capivaras, uma sucuri, uma jaguatirica e muitas aves, além de pegadas de onça-pintada, que anda com mais tranquilidade por ali também.

Assista ao vídeo Pantanal Mato-grossense na cheia.

(Textos: Amandina Morbeck; fotos: Amandina Morbeck e Janaina Vieira)


Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.


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