
Dirigir pela estrada-parque do Pantanal de Mato Grosso do Sul é mais aventura do que na Transpantaneira, pois é bem mais isolada e com pouquíssimo tráfego. É uma área especial de interesse turístico (AEIT), o que contribui para sua preservação como patrimônio natural e cultural e também como ponto turístico para a região.

Ela foi aberta no final do século 19 pelo Marechal Candido Rondon, que levou o telégrafo até Corumbá. Seus 116 km de extensão – com 74 pontes – localizam-se entre a BR 262 (na altura do km 656 em Buraco das Piranhas) e o município de Corumbá (a 9 km dessa cidade que faz fronteira com a Bolívia).

Ao longo dela estão fazendas, hotéis, pousadas e duas comunidades – Passo do Lontra e Porto da Manga, ambas estruturadas por causa da pesca esportiva. As pousadas e os hotéis concentram-se entre o Buraco das Piranhas e a Curva do Leque.

Até Porto da Manga, é bem arenosa e mais estreita; a partir desse ponto, subindo a Serra do Urucum, é de cascalho e mais larga. Transitar por ela na seca (a estação entre abril e setembro) foi bem tranquilo e cruzamos apenas com um veículo com um casal de turistas estrangeiros e dois caminhões carregando gado (aliás, li que ela é muito utilizada com essa finalidade pelos fazendeiros da região).

Outra informação que li a respeito dessa estrada é que na época das chuvas várias partes dela ficam inundadas, impedindo o tráfego de veículos. À exceção de Porto da Manga, que tem apenas algumas casas e uma pousada, não há nenhuma estrutura de socorro ou de abastecimento ao longo dela.

A travessia do Rio Paraguai, em Porto da Manga, ainda é feita de balsa e dura 10 minutos. O rio é lindo, um espetáculo à parte, e atravessá-lo de balsa foi muito legal. Em 1903, enquanto implantava a linha de telégrafo, o Marechal Rondon morou nesse local, às margens do rio, numa casa de palafita que resistiu ao tempo e hoje é um marco histórico.

Transitar por ela, como na Transpantaneira, é uma oportunidade única para observação de animais e de aves, mas depois de ter visitado o Pantanal Mato-grossense antes de chegar ali, afirmo que a quantidade de aves foi bem menor. Não sei se é sempre assim, mas naquele agosto de 2009 não dava para comparar com o que havia eu visto no norte.

Lá, eu também havia ficado impressionada com a quantidade de jacarés, mas nas poças d’água ao longo da estrada-parque no sul a quantidade era muito maior! Em alguns pontos eles ficavam praticamente apinhados.
Os cervos parecem ser mais comuns no sul também, pois vimos vários, enquanto no norte, nenhum. Também cruzamos com uma boiada sendo manejada por vaqueiros, um evento que me pareceu raro até mesmo naquela região.

Tanto a Transpantaneira quanto a estrada-parque podem ser feitas de bike. Durante minhas pesquisas, encontrei relatos sobre essa aventura no Google. Faça uma busca e veja posts atualizados. Vale a pena conhecer a experiência de outros bikers, caso você tenha intenção de pedalar por lá também. Tudo contribui para o planejamento.
Enfim, ter conhecido as duas estradas que cruzam os pantanais norte e sul foi uma experiência inesquecível, realmente. Para quem curte aventura, natureza e observação de animais e de aves são dois roteiros imperdíveis. Quem gosta de fotografar tem um mundo para aproveitar. No meu caso, me despedi do Pantanal já com planos de voltar – o que aconteceu em fevereiro/2013.
(Texto e fotos: Amandina Morbeck)
Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.
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Olá, Ives, a época brava dos mosquitos, pelo menos no Pantanal Mato-grossense, é em fevereiro/março – quase fui carregada por eles. 🙂 Estive nos dois lados do Pantanal em agosto/2009 e não havia mosquitos em excesso. Em relação à ausência de brasileiros, infelizmente é verdade. Os que encontrei, principalmente no sul, eram pescadores e não estavam ali para curtirem a natureza, como eu. Será que falta divulgação mais direta entre os brasileiros, mostrando que o Pantanal é muito mais que um local para pesca? Para mim, é um dos lugares mais lindos que conheço. Fui duas vezes e ainda quero voltar. 🙂 Obrigada por sua visita ao Viajando com Aman.
Olá, boa tarde.Gostaria de dizer que adorei o post, parabéns.
Fui ao Pantanal de Mato Grosso do Sul, agora em agosto/2014, e ocorreu algo um tanto inusitado esse ano, pois a cheia atrasou e alterou um pouco o "hidrociclo" da região. Teoricamente, deveria ser a época da cheia, porém devido a alteração ocorrida, cheguei na época da vazante, o que pude observar alguns aspectos da seca, e outros da cheia, já que estava nessa transição. Não havia muitos mosquitos, entretanto o número de aves estava reduzido. Pude observar ainda um número considerado de veados, assim como de jacarés e capivaras, ao longo do Rio Miranda e do Rio Abobral. Confesso que a ausência de brasileiros na região me deixou triste, o que foi algo complicado pra mim, pois viajei só, e as vezes sentia falta de interagir com alguém a respeito das belezas do lugar. Não visitei ainda o Pantanal mato-grossense, porém pretendo ir em agosto do ano que vem, espero gostar bastante, assim como gostei da parte sul. Mais uma vez, parabéns pelo post.