
Agora, era a vez de conhecer o Pantanal de Mato Grosso do Sul na seca.
Chegar a Campo Grande a partir do Pantanal Mato-grossense foi complicado (leia como foi no final deste post). Depois de passar a noite num hotel lá, pegamos a BR 262 logo cedo, sentido Corumbá, saindo no Buraco das Piranhas, na altura do km 656, para entrar na estrada-parque, de onde continuamos em direção ao nosso destino: o Hotel Passo do Lontra no km 8, construído às margens do Rio Miranda.

A estrada-parque ali cruza o Pantanal até a cidade de Corumbá. Falarei especificamente sobre ela em outro post (clique aqui).
A localização do hotel em que ficamos é excelente e ele é bem-estruturado, todo em madeira. Construído em palafitas para ficar acima da água na época das chuvas, todas as áreas são conectadas com passarelas, e uma mais longa circunda todas as construções para que os hóspedes passeiem mesmo com alagamento. Apesar do cansaço, fomos explorar os arredores.

Ao lado do hotel, em área doada por seu proprietário, fica um centro de pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, onde alunos estudam a fauna e a flora da região com enfoque preservacionista.

Com uma caminhada pelas passarelas, pelo gramado e pela estradinha que liga a estrada-parque ao hotel, vimos facilmente capivaras, beija-flores, carcarás, bugios, um casal de araras azuis e várias espécies de pássaros. À beira do Rio Miranda, um deck de madeira era um convite irrecusável para uma parada sossegada para curtir o visual, enquanto a água corria suavemente. De vez em quando passava um barco com pescadores.

À noite, depois do jantar, fomos para o primeiro passeio ali: focagem de jacarés e de outros animais. No dia anterior turistas tinham visto uma onça-pintada, mas não foi nosso caso. Vimos muitos jacarés, inclusive filhotinhos, algumas capivaras e vários pássaros. A noite chegou e trouxe um céu superestrelado. O vento fresco batia suavemente no meu rosto e eu só curti muito estar ali, abraçada por uma natureza ainda bastante intocada sob um lindo céu estrelado.

Diferentemente do que vivenciamos no Pantanal Mato-grossense, o nascer do dia foi saudado não por aves, mas por macacos bugios, que emitem um som muito estridente, e por uma superpopulação de gaviões carcarás.

Após o café da manhã, seguimos para um safári na estrada-parque, sentados na carroceria de um caminhão pequeno, em direção a uma fazenda de propriedade do hotel. Pelo caminho, vimos veados, jacarés e pássaros.

Lá, fizemos uma cavalgada antes do almoço. Depois, almoçamos comida típica dos pantaneiros, com peixe, abóbora, feijão e farofa, e fizemos uma sesta. Mais tarde, fomos caminhar.

O guia falava sobre as características da vegetação, sobre os bichinhos que encontramos e por fim, ficamos cara a cara com jacarés e uma ariranha nervosa, que bufava sem parar, confinada a uma poça com pouca água. O guia disse que aquele ano (2009) havia chovido bem abaixo do esperado.

No fim da tarde, o caminhão nos levou de volta e cheguei exausta ao hotel.
Depois do jantar, sob aquele céu maravilhoso, sentei numa cadeira no deck para curtir a chegada da noite acompanhada pela suavidade da água descendo e batendo na madeira sob meus pés. Fiquei ali vendo as estrelas surgirem aos poucos, enquanto o último raio de sol desaparecia no horizonte. Seria a última noite ali e eu queria muito não ter sono.

Na manhã seguinte, fizemos um último passeio de barco pelos rios Miranda e Vermelho. Aquele sentimento que aflorou quando eu estava no Pantanal Mato-grossense, experimentei ali também: de que é maravilhoso observar as outras espécies de seres vivos (somos uma delas) em total liberdade, sem interferências. Antes dessa viagem, eu jamais poderia antecipar que o Pantanal seria assim e que eu curtiria tanto.

De acordo com a gerente do hotel, seu maior público são pescadores, embora ela também receba turistas em busca de roteiros ecológicos – quase 100% de estrangeiros. Brasileiros vão atrás da pesca. Minha amiga e eu éramos exceções de novo, como havia acontecido no Patanal Mato-grossense.

Deixamos Passo do Lontra para trás e pegamos a estrada-parque em direção a Corumbá. Na verdade, o destino final aquele dia seria Bonito, onde planejamos chegar antes do cair da noite, mas o problema de andar nas estradas que cruzam o Pantanal – além da velocidade reduzida por serem de terra – é que é quase impossível não parar toda hora.

Assim, todo o planejamento ficou furado e gastamos mais tempo até Corumbá, onde só conhecemos a área do porto. Rodamos um pouco pelas ruas em busca de um restaurante para almoçarmos, mas não encontramos. Compramos besteirinhas para comermos no carro mesmo e pegamos a plana BR-262, cruzando parte do Pantanal agora no asfalto.

A paisagem continuava bonita, mas não vimos uma ave sequer. E assim, deixamos o Pantanal de Mato Grosso do Sul para trás.
Do Pantanal Mato-grossense a Campo Grande
Deixamos a pousada no Pantanal de Mato Grosso por volta das 6h. Passamos de novo por Poconé, seguimos pelo asfalto e pegamos a BR 163 (que liga Mato Grosso ao Paraná) no trecho de Cuiabá a Campo Grande e que sofrimento! Até Rondonópolis (219 km), a rodovia – com pista simples em 90% da extensão – é um lixo, com asfalto irregular e esburacado, sem acostamento e com absurdamente intenso tráfego de carretas, fazendo com que eu dirigisse quilômetros em velocidade super-reduzida entre elas. Para completar, choveu todo o tempo.
Cansada, propus uma brincadeira: que pelos próximos 100 km contássemos os caminhões que conseguíssemos ultrapassar, os que viessem em direção contrária e os que estivessem estacionados nos postos de gasolina ao longo da rodovia – que cedo ou tarde voltariam a rodar. Resultado: ultrapassamos 174, cruzamos com 412 e contamos 73 nos postos! Não recomendo se dirigir nesse trecho, principalmente à noite.
Depois de Rondonópolis, embora ainda com pista simples, o asfalto melhorou e o número de caminhões diminuiu, mas ainda assim foi puxado. Chegamos a Campo Grande às 19h, depois de percorrermos 803 km desde a pousada. No dia seguinte, zarpamos logo cedo em direção ao hotel que seria nosso QG para conhecermos um pouco do Pantanal de Mato Grosso do Sul.
(Texto: Amandina Morbeck; fotos: Amandina Morbeck e Janaina Vieira)
Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.
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Olá, gostei muito do seu post. Estou organizando uma viagem para o pantanal na seca, mas estou em dúvida se opto pelo pantanal do Mato Grosso ou do Mato Grosso do Sul. Nosso intuito é fazer o ecoturismo mesmo! Qual você indicaria? Qual possui uma variedade maior de animais?
Obrigada