Pantanal Mato-grossense na seca

Aves, jacarés e gado fazem parte da paisagem pantaneira - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Aves, jacarés e gado fazem parte da paisagem pantaneira – Foto: Amandina Morbeck.

Visitei o Pantanal Mato-grossense na seca em agosto/2009. De lá, segui para o de Pantanal de Mato Grosso do Sul numa viagem de 6.000 km de carro que começou na capital paulista e incluiu alguns lugares desses dois Estados.

Ler, ver imagens e reportagens na TV e ouvir o que outras pessoas diziam sobre o Pantanal só aumentavam minha curiosidade e meu desejo de passar uns dias por lá. Nada como ter sua própria experiência. O que fui descobrir depois dessa e da segunda visita que fiz (fevereiro/2013), é que não existe apenas um, mas vários pantanais dentro do mesmo ecossistema, que mudam conforme a estação e também o Estado (acesse Não existe apenas um Pantanal).

Poconé é a última cidade antes do Pantanal Mato-grossense, mas não sabe aproveitar esse potencial turístico - www.vaijandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Poconé é a última cidade antes do Pantanal Mato-grossense, mas não sabe aproveitar esse potencial turístico –                  Foto: Amandina Morbeck.

Antes de continuar, gostaria de fazer uma observação: opto pela grafia Pantanal Mato-grossense – em vez de Pantanal do Mato Grosso – porque essa é forma que o Ibama utiliza.

Agora, deixe-me lhe contar como foi essa viagem, uma continuação da etapa São Paulo/Barra do Garças (que incluiu também Roncador e Nova Xavantina).

Início da Transpantaneira, com asfalto por uns 2 km - Pantanal Mato-grossense - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Início da Transpantaneira, com asfalto por uns 2 km – Foto: Amandina Morbeck.

Saímos de Barra do Garças bem cedo, passamos por Primavera do Leste, depois por Chapada dos Guimarães e então Cuiabá para seguirmos em direção a Poconé, a 100 km dali, onde chegamos ao cair da tarde. Procurei por placas que indicassem a saída para o Pantanal, mas não encontrei uma sequer; achei superestranho e o jeito foi perguntar aqui e acolá. (Voltei três anos e meio depois e encontrei duas, mas ainda confundem.)

Meu primeiro por do sol no Pantanal Mato-grossense - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Meu primeiro por do sol no Pantanal Mato-grossense – Foto: Amandina Morbeck.

Abastecemos o carro no último posto antes da Transpantaneira (oficialmente, Rodovia Zolito Dorilêo ou MT-060) e pouco depois passamos sob a placa que confirmava que finalmente estávamos a poucos quilômetros do tão esperado Pantanal. Os primeiros 2 km da rodovia são asfaltados e depois começa a estrada de terra avermelhada com cascalho; 13 km à frente eu estava diante do simbólico portal de madeira pela primeira vez, que é o marco do início do Pantanal Mato-grossense.

Portal que marca o início da Transpantaneira - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Portal que marca o início da Transpantaneira – Foto: Amandina Morbeck.

Logo depois, com a planície verde espalhando-se em ambos os lados da estrada, chegamos ao ninhal, que estava coalhado de aves e de pássaros de diversas espécies e de cores variadas e também de jacarés apinhados dentro e em volta de uma pequena lagoa. Todo aquele espetáculo de voos, de movimentos e de sons que nos fez perder a noção do tempo.

O sol se pôs e chegamos à pousada, na altura do km 40, em completa escuridão. Descarregamos as bagagens, tomamos banho e nos deliciamos com a comida caseira e os diversos tipos de peixe servidos. Os diferentes sons mostravam como a vida naquele lugar pulsa a qualquer hora do dia ou da noite.

Ver e ouvir a alvorada pantaneira não tem preço - Pantanal Mato-grossense - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Ver e ouvir a alvorada pantaneira não tem preço – Foto: Amandina Morbeck.

Normalmente, detesto acordar cedo, mas na madrugada do dia seguinte eu estava de pé às 4h para conhecer a famosa alvorada pantaneira, com os cantos de pássaros e de aves, principalmente o escandaloso arancuã, para saudar o nascer do sol. Sinceramente? É imperdível!

Os arancuãs são os mais escandalosos para saudar o novo dia - Pantanal Mato-grossense - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Os arancuãs são os mais escandalosos para saudar o novo dia – Foto: Amandina Morbeck.

Depois do café, fomos explorar os arredores da pousada. Mais tarde, fomos de volta até o portal de entrada da Transpantaneira, montei a bicicleta que eu havia levado, pois sempre sonhei de pedalar ali, e fui para meu primeiro pedal. Estava muito, mas muito quente e seco.

Preparação para o primeiro dia de pedal a partir do portal da Transpantaneira - Pantanal Mato-grossense - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Janaina Vieira.
Preparação para o primeiro dia de pedal a partir do portal da Transpantaneira – Foto: Janaina Vieira.

Como pedal numa segunda e numa terça-feira, foi mais tranquilo, pois o trânsito maior é nos fins de semana. O limite de velocidade na rodovia é de 60 km/h, mas nem sempre a velocidade dos carros era compatível. Além disso, por ser época de seca, a poeira ficava bem solta, prejudicando a visão dos motoristas. Assim, mesmo com bem menos carros trafegando nos dias que pedalei, quando passava algum eu ia bem pro cantinho da rodovia ou saía dela quando podia para não correr riscos.

E lá fui eu na minha bike - Pantanal Mato-grossense - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Janaina Vieira.
E lá fui eu na minha bike – Foto: Janaina Vieira.

O cascalho, as “costelas de vaca” e as pontes tornavam o pedal mais lento. Além disso, eu parava toda hora para fotografar ou para observar aves, pássaros, jacarés etc. Num determinado momento, vi duas raposas caminhando sossegadamente pela estrada. Parei e fiquei imóvel, esperando-as se aproximarem. Eu queria trocar a lente da câmera, mas tinha de pegar na mochila às costas. Preferi deixar pra lá e fotografar com a grande angular mesmo. Elas vieram bem perto de mim e, quando me viram, primeiro ficaram olhando, desconfiadas; depois, entraram no mato.

As raposinhas que encontrei enquanto pedalava - Pantanal Mato-grossense - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
As raposinhas que encontrei enquanto pedalava – Foto: Amandina Morbeck.

Era muito legal ver que, quando os carros não passavam, a estrada era dos bichos. E como a bike não faz barulho, eu podia chegar bem perto deles. No primeiro dia, pedalei uns 30 km e no outro mais 30 (a partir do ponto que eu havia parado no dia anterior), percorrendo 60 de seus 147 km. Amei!

No segundo dia de pedal; os jacarés lá embaixo deviam estar pensando que bicho estranho era esse na ponte - Pantanal Mato-grossense - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Automática.
No segundo dia de pedal; os jacarés lá embaixo deviam estar pensando que bicho estranho era esse na ponte –          Foto: Automática.

Também fizemos passeios no barco da pousada pelo Rio Claro. É indescritível ver todos aqueles animais em seu habitat, simplesmente vivendo. Com o motor desligado na maior parte do tempo rio abaixo, eles não ficavam assustados. O olhar do guia, acostumado com aquele meio ambiento, é incrível. Vimos morcegos, macacos, gaviões, tucanos, papagaios, jacarés, capivaras, lontras, garças, colhereireiros e tantos outros.

Muy amigos! - Pantanal Mato-grossense - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Muy amigos! – Foto: Amandina Morbeck.

Numa noite, fomos de barco também para a primeira focagem de jacarés da minha vida. No breu total, o guia passava o facho da lanterna nas margens do rio e os olhos dos jacarés refletiam a luz, pontilhando a escuridão. Ele disse que às vezes era possível ver outro animais também, como onça-pintada, jaguatirica e capivara, mas não tivemos sorte.

Rio Claro, onde fiz dois passeios de barco - Pantanal Mato-grossense - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Rio Claro, onde fiz dois passeios de barco – Foto: Amandina Morbeck.

Na última tarde no Pantanal, saímos de carro pela Transpantaneira e dirigimos até mais ou menos o km 100 para observarmos animais e assistirmos ao por do sol. Na volta, tivemos de parar para que uma família de capivaras atravessasse a estrada – mãe, pai e filhotes, uns cinco. Desliguei o motor e, iluminados pela luz dos faróis, eles ficaram na beira da estrada brincando, rolando na terra, sem se importar com o carro. Com a câmera que eu tinha na época era impossível fotografar com tão pouca luz, por isso fiquei só curtindo aquele momento mais inusitado.

Assim, durante o passeio no Rio Claro - Pantanal Mato-grossense - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Assim, durante o passeio no Rio Claro – Foto: Amandina Morbeck.

De brasileiros na pousada, apenas minha amiga e eu; os demais hóspedes eram de outros países. Perguntei ao gerente sobre a porcentagem de visitação e ele disse que quase 100% era de estrangeiros. Que pena que a maioria de meus compatriotas viam (e ainda veem) o Pantanal apenas como lugar para pesca. Ele é tão, mas tão, mas tão mais que isso!

Com esse bico colorido é impossível ficar escondido - Pantanal Mato-grossense - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Com esse bico colorido é impossível ficar escondido – Foto: Amandina Morbeck.

No dia seguinte de manhã, pegamos a estrada de volta a Poconé para seguirmos até Campo Grande – não sem antes pararmos no ninhal para mais um espetáculo inesquecível. A visita foi curta e deixou um gosto de quero mais.

Era época de ipês floridos - Pantanal Mato-grossense - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.
Era época de ipês floridos – Foto: Amandina Morbeck.

Importante: os animais no Pantanal não ficam tão próximos, portanto sugiro que, se você resolver visitá-lo e gostar muito de fotografar, uma câmera com um bom zoom é muito bem-vinda. As tipo powershot são bastante limitadas.

 

Estação da seca – de julho a novembro

Essa visita foi feita na época da seca, com mais vida selvagem à vista e com menos mosquitos para incomodar, embora não sumam completamente. Afinal, eles também fazem parte da natureza. Portanto, um bom repelente não pode faltar na bagagem.

Para conhecer mais sobre os aspectos desse maravilhoso ecossistema, leia os outros posts.

(Texto: Amandina Morbeck; fotos: Amandina Morbeck e Janaina Vieira)


Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.


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    4 comentários em “Pantanal Mato-grossense na seca”

    1. Olá, Ester, agradeço sua visita, mas o texto e as imagens não são de seu aluno, Roseno, mas meus (Amandina Morbeck), publicados no blog do meu site sobre minhas viagens. Abraço.

    2. Amandina Morbeck

      Olá, Ester, agradeço sua visita, mas o texto e as imagens não são de seu aluno, Roseno, mas meus (Amandina Morbeck), publicados no blog do meu site sobre minhas viagens. Abraço.

    3. Roseno, wow! wow! wow! Olhamos ( João e eu e ficamos com água na boca!)
      Em 1979-1981 moramos em Itacoatiara, uma cidade perto de Manaus em um contrato de trabalho. João viveu os melhores momentos de sua vida n'aqueles 2 anos… observando a natureza, mas enquanto trabalhava, o que não é o mesmo que fazer o que você fez. Parabens, meu querido aluno, pela escolha do laser e pela "dissertação". Nota 10+.

    4. Roseno, wow! wow! wow! Olhamos ( João e eu e ficamos com água na boca!)
      Em 1979-1981 moramos em Itacoatiara, uma cidade perto de Manaus em um contrato de trabalho. João viveu os melhores momentos de sua vida n'aqueles 2 anos… observando a natureza, mas enquanto trabalhava, o que não é o mesmo que fazer o que você fez. Parabens, meu querido aluno, pela escolha do laser e pela "dissertação". Nota 10+.

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