
A Transpantaneira sempre foi meio mítica para mim antes de nela pisar pela primeira vez. E quando isso aconteceu, vê-la cercada por aquelas paisagens e por tanta vida foi uma experiência que reforçou esse sentimento. É ela que nos permite fazer esse contato tão próximo com toda aquela beleza, com todos aqueles seres vivos que nada mais são que nossos irmãos de diferentes espécies.
As obras para sua construção começaram em 5/9/1972 em Poconé e terminaram em 1974 em Porto Jofre, às margens do Rio Cuiabá. Oficialmente, é batizada de Rodovia Zolito Dorilêo ou MT-060.

Inicialmente projetada para unir Poconé (MT) a Corumbá (MS), num total de 397 km, foi finalizada no km 147 sem a ponte necessária para unir os dois Estados. Toda de terra, é a estrada com maior número de pontes do mundo, 122 – e apenas duas feitas em cimento. Na época das chuvas (dezembro a março) muitos trechos transformam-se em atoleiros ou ficam alagados, dificultando a passagem de carros pequenos.

Mas como tudo tem dois lados, é a temporada em que a pesca fica suspensa e quase não há turistas, o que faz com que o número de veículos transitando por ela também diminua; com isso, muitos animais a utilizam para sair das áreas alagadas, o que favorece a observação de capivaras, de jacarés e até de sucuris. Na seca, trafegar por ela é bem tranquilo, mesmo com carro pequeno, mas o trânsito aumenta muito, principalmente aos fins de semana; por sua vez, os animais ficam bem mais ariscos.

No fim, ela acabou transformada numa via importante para o ecoturismo, utilizada para avistamento de aves, de pássaros e de mamíferos. Ao longo dela encontram-se pousadas, geralmente antigas fazendas transformadas para receber ecoturistas, amantes de atividades ao ar live e fotógrafos de natureza, com nível variável de conforto, fazendas que ainda sobrevivem com a criação de gado e reservas ecológicas.

Em toda a sua extensão não há pontos de abastecimento ou de socorro mecânico e é preciso dirigir com muito cuidado por causa dos bichos que a atravessam. A velocidade máxima permitida é de 60 km/h.
Para quem curte natureza, como eu, é impossível dirigir pela Transpantaneira sem parar seguidamente ou simplesmente estacionar num ponto e ficar observando a rica e variada fauna que vive ao longo dela.

Até o km 65, no Rio Pixaim, é chamado de alto Pantanal e a vegetação ao redor é mais baixa; a partir desse ponto até Porto Jofre, alto Pantanal, aparecem as matas e é mais fácil ver mamíferos. Ela termina ali, às margens do Rio Cuiabá, uma via fluvial muito importante para o ecossistema da região e que também oferece uma das melhores opções de passeio de barco para observação da vida selvagem, inclusive a observação de onças-pintadas.

(Texto e fotos: Amandina Morbeck)
Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.
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