Voar está mais perigoso?

Acidente com o voo da Germanwings em março de 2015 - Foto: Reproduçaõ.

Avião da Germanwings idêntico ao que caiu nos Alpes franceses – Foto: Reprodução.

Sempre que acontece um acidente aéreo, principalmente com voos comerciais por causa do número de passageiros, a pergunta que fica martelando geralmente é: “Voar está mais perigoso?”. Esta semana, precisamente dia 24/3/2015, a queda do avião da Germanwings (voo 4U-9525) nos Alpes franceses, no trajeto Barcelona-Düsseldorf, trouxe essa questão novamente à tona.

As imagens divulgadas mostram a total destruição da aeronave, sem chance de haver sobreviventes entre as 150 pessoas que estavam a bordo. Dói ver todos os escombros, conhecer um pouco da história de alguns passageiros, ver as imagens mostrando o sofrimento de parentes e de amigos, ouvir os responsáveis pela empresa aérea tentando encontrar uma resposta à sociedade sem nem saber direito o que aconteceu.

No meio dessa confusão e de tanto pesar, uma bomba: gravações da cabine indicam que a queda foi planejada e provocada pelo copiloto, um jovem alemão de 28 anos chamado Andreas Lubitz, que não abriu a porta para que o comandante retornasse ao seu posto depois que este saiu para, talvez, ir ao banheiro. O avião espatifou-se nas pedras geladas e cobertas de neve da montanha, a 700 km/hora, enquanto o comandante tentava, desesperadamente, derrubar a porta e retomar o controle da aeronave, que perdeu altitude em apenas oito minutos.

Mas e qual é a resposta para a pergunta: “Voar está mais perigoso?”

Acidente com o voo da Germanwings em março de 2015 - Voar está mais perigoso? - Foto: Reproduçaõ.

Voar é o meio de transporte mais seguro do mundo – Foto: Reprodução.

É simples e direta: não, não está! E quem mostra isso são as estatísticas. Conforme John Walton, jornalista especializado em aviação, “voar é mais seguro do que ficar em casa”, ou seja, proporcionalmente, há mais acidentes domésticos que aéreos, tornando a aviação é o meio de transporte mais seguro do mundo. A questão, claro, é o impacto que um acidente aéreo causa na nossa mente, quando dezenas de pessoas morrem de uma vez, fazendo com que vejamos os aviões como “perigosos”.

Mas não é bem assim. De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), em nível mundial, em 2014 ocorreu apenas um acidente aéreo a cada 4,4 milhões de voos, numa proporção de 0,23 acidente por milhão de voos, o nível mais baixo da história da aviação (12 acidentes e 641 pessoas mortas das 3,3 milhões que voaram no ano [dados da Iata também]). Em 2013, essa proporção foi de 0,41/milhão de voos, com 19 acidentes e 517 mortes.

Na Europa, os dados da Agência Europeia de Segurança na Aviação mostram que a proporção é de um acidente fatal a cada 1,8 milhão de voos.

Germanwings e Lufthansa

Acidente com o voo da Germanwings em março de 2015 - Voar está mais perigoso? - Foto: Reproduçaõ.

Lufthansa, a segunda empresa aérea mais segura da Europa – Foto: Reprodução.

A Germanwings é uma subsidiária da Lufthansa (a segunda empresa aérea mais segura da Europa*), tem sede em Colônia, na Alemanha, e foi adquirida em 2009.

Ela opera com bilhetes de baixo custo em 115 voos dentro da Alemanha e para países europeus. Tem 2.000 funcionários e entre 2013 e 2014, transportou 16 milhões de passageiros. Mesmo com números tão expressivos, um acontecimento como esse pode prejudicar sua imagem, ainda que por apenas um período.

De qualquer forma, as estatísticas mostram que ambas empresas são confiáveis e que voar é uma forma segura de deslocamento. Além disso, a cada acidente a indústria aérea aprende o que deu errado e incorpora o conhecimento para evitar sua repetição. Certamente, isso não diminui o pesar – e muitas vezes o medo – gerado por eventos como esse, mas não há como negar que, para quem viaja longas distâncias, principalmente entre países, voar continua sendo a melhor opção.


*O ranking das 10 empresas aéreas mais seguras da Europa com base no número de incidentes nos últimos 30 anos em relação ao número de voos (dados do Centro de Investigação de Acidentes de Aviação alemão [JACDEC]):

1- KLM / 2- Lufthansa / 3- TAP Portugal / 4- British Airways / 5- Virgin Atlantic / 6- Air Berlin / 7- EasyJet / 8- Thomson Airways / 9- Swiss / 10- Ryanair


(Para comparação, o Observatório Nacional de Segurança Viária mostra que, em 2012, mais de 60 mil pessoas perderam a vida no Brasil em acidentes de carro; em 2014, foram mais de 52.000, de acordo com a Seguradora Líder-DPVAT. Números certamente assustadores.)


Para saber mais sobre o acidente com o avião da Germanwing, acesse:
Copiloto tomou o controle do avião que caiu na França
Veja como o copiloto derrubou o avião na França

(Texto: Amandina Morbeck)


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2 comments

  1. Amandina Morbeck on 01/04/2015 at 10:00 said:

    Olá, Jonas, agradeço seu comentário. Infelizmente, considerando o que a imprensa tem divulgado, o que está por trás da queda do avião Germanwings é bem mais assustador do que apenas cansaço do(s) piloto(s). Agora, realmente para que as tarifas sejam tão mais baixas em relação às companhias aéreas maiores, os custos precisam ser muito reduzidos em todos os níveis e possivelmente a tripulação talvez seja mesmo mais exigida. Mas que isso não diminua nossa vontade de viajar. Um abraço.

  2. Jonas on 27/03/2015 at 12:58 said:

    Talvez em voos normais seja ainda mais seguro, mas em low costs não há garantia. Esses voos de baixo custo costumam saturar a tripulação com mais horas de voo e menos horas de descanso.

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