Uzbequistão? O que você vai fazer lá?

No mapa da Ásia Central, você sabe onde fica o Uzbequistão? - Fonte: Wikipedia.

No mapa da Ásia Central, você sabe onde fica o Uzbequistão? – Fonte: Wikipedia.

Pelo fato de o Uzbequistão ser praticamente desconhecido para a maioria de nós, essa foi a pergunta que mais ouvi em 2012. Até hoje me lembro dos olhos arregalados e das expressões de surpresa ao dizer a amigos e a familiares que iria visitar esse país da Ásia Central. Deveria ter filmado as reações para a posteridade. 🙂

Mas a verdade é que nem eu sabia a resposta quando decidi ir para lá. Naquele ano, eu havia começado a planejar nossa próxima viagem internacional quando, de repente, bateu uma preguiça de organizar tudo independentemente. Acabei decidindo por procurar empresas de turismo que fugissem do lugar comum. Nas minhas buscas, lembrei de artigos do fotógrafo Fábio Elias, na revista PHOTO, que também anunciava as expedições da Imagens & Aventuras (I&A), a empresa dele. Ao visitar o site oficial, a expedição “Rota da Seda” chamou minha atenção por um simples motivo: o início e o fim dela batiam exatamente com as nossas férias, nem mais nem menos.

Nesse mapa estilizado com rotas de exploração ao redor do mundo, a da Seda está em azul - Fonte: SilkRoadEncyclopedia.com.

Nesse mapa estilizado com rotas de exploração ao redor do mundo, a da Seda está em azul – Fonte: SilkRoadEncyclopedia.com.

Mas eu ainda precisava convencer minha esposa. A conversa foi mais ou menos assim:

– E aí? ‘Bora pro Uzbequistão? Bate certinho com nossas férias!

– Lá não tem talibã?

– Não. Isso aí é no Afeganistão.

– Quanto é?

– Muitos reais.

– Parcelam?

– Sim.

– Vamos!

E foi assim, quase aleatoriamente, que conhecemos o país de Tamerlão, o líder islâmico mais poderoso e temido de sua época, imortalizado em obras de Edgard Alan Poe, Vivaldi e Handel. Hoje, um lugar pobre economicamente, mas rico em história, arquitetura e arte graças a sua condição de centro da antiga Rota da Seda. E é essa história que molda uma visita ao país, pois podemos conhecer centros religiosos com arquitetura singular, seguir os rastros de Marco Polo, das invasões mongóis e da expansão islâmica e comprar belos trabalhos em cashmere, cerâmica e tapeçaria.

 

Dicas sobre o Uzbequistão e de como chegar lá

Independente da União Soviética desde 1991, o Uzbequistão é um país presidencialista, onde o Executivo detém efetivo poder e tem tendência autoritária e burocrática. Isso resulta em certo trabalho para conseguirmos o visto, mas não é coisa do outro mundo. Quem já foi ao Japão, por exemplo, tira o processo de letra. Há agências de viagem que fazem isso, mas para os mais independentes o processo pode ser consultado no site do Ministério das Relações Exteriores.

Não existe voo direto do Brasil para Tashkent, a capital, mas é possível chegar lá com uma ou duas conexões. Moradores de São Paulo podem voar pela Turkish Air com apenas uma parada em Istambul. Caso você esteja em outro país, a Uzbekistan Airways voa de vários destinos populares entre brasileiros, como Atenas, Paris, Roma, Tóquio e Dubai.

Nota de 50 sons, a moeda do Uzbequistão - Fonte: currency-calculator.com.

Nota de 50 sons – Fonte: currency-calculator.com.

A moeda oficial do país é o som (UZS), uma das mais desvalorizadas do mundo. As casas de câmbio oficiais normalmente ficam nos hotéis maiores e nas agências de turismo, com taxas não muito vantajosas, já o mercado cinza é composto por guias de turismo, hotéis sem casas de câmbios e lojas. Algumas lojas também aceitam vender diretamente em dólar ou em euro, com taxas mais vantajosas para a moeda norte-americana. Sempre trocávamos o dinheiro aos poucos, US$ 50 ou US$ 100, pois carregar um volume grande de notas de som é bem incômodo. Só para você ter uma idéia, U$ 100 na cotação de julho/2014 daria 232 notas de 1000 UZS! Por isso, é importante escolher um hotel com cofre nos quartos e levar uma bolsa ou uma mochila pequena para carregar os pertences quando sair. Não confie nos bolsos de sua calça para levar a grana.

Mesmo aceitas em toda parte, as notas de dólar e de euro devem ser bem conservadas e sem rabiscos ou você não conseguirá trocá-las. Não deixe barato e dê o troco: só aceite de volta notas de som nas mesmas condições.

A disponibilidade de terminais bancários de autoatendimento é muito rara e o cartão de crédito ainda não é muito difundido. Dinheiro vivo é a opção mais segura para o dia a dia.

O idioma uzbeque tem influência das línguas persa, árabe e russa - Uzbequistão - Foto: Samyra Serra.

O idioma uzbeque tem influência das línguas persa, árabe e russa – Foto: Samyra Serra.

As línguas oficiais são russo e uzbeque. Inglês só é mais falado nos hotéis e pelos jovens da capital. Portanto, recomendo fortemente a contratação de um guia local ou o uso de dicionários das línguas oficiais. Um smartphone com um dicionário de frases vem bem a calhar. Há várias opções gratuitas para Android e iOS. Essa dificuldade de comunicação também pode ser amenizada com uma medida simples: sempre leve, por escrito, endereços importantes, assim você pode simplesmente mostrar a alguém aonde você quer ir. Já nos restaurantes, a dificuldade será grande se você estiver sozinho. O dicionário é praticamente obrigatório nessa situação.

No próximo post – Primeiro contato com o Uzbequistão -, contarei como foi chegar lá e como foi a primeira baladinha noturna.

Ah! E para você checar se acertou a localização desse país no mapa da Ásia Central no começo deste post, clique aqui.

(Texto: Bernardo A. B. de Lima / Foto: Samyra Serra)


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