Refúgio Serra Fina em Passa Quatro, Minas Gerais

O refúgio, a 1.500 m de altitude, cercado por montanhas - Foto: Amandina Morbeck.

O refúgio, a 1.500 m de altitude, cercado por montanhas.

Tenho uma lista bem longa com lugares que quero conhecer e o Refúgio Serra Fina fazia parte dela até semana passada. Finalmente, subi a Serra da Mantiqueira, no município de Passa Quatro, sul de Minas Gerais, para encontrá-lo incrustado nela a 1.500 m de altitude. Mesmo tendo visto várias fotos de lá, ao vivo e em cores tudo superou minhas expectativas.

Varanda do refúgio com vista para as montanhas - Foto: Amandina Morbeck.

Varanda do refúgio – ô vida mais ou menos, não?

Começando pela belíssima e confortável estrutura do refúgio! O grande salão com três ambientes – estar, TV e refeitório – limita-se nas duas pontas com as áreas privativas onde ficam os dormitórios e as suítes (a partir de outubro os dormitórios ficarão em construções separadas). E para completar, uma varanda imensa com redes, mesinhas, cadeiras e plantas de onde se tem uma vista incrível da paisagem montanhosa e do céu.

Céu estrelado visto da varanda do Refúgio Serra Fina - Foto: Amandina Morbeck.

Apesar da claridade do céu por causa da lua quase cheia, ainda deu pra brincar com as estrelas.

Colchões, travesseiros, roupas de cama, edredons, toalhas, chuveiros, enfim, tudo o que é utilizado pelos hóspedes durante sua estada foram testados pelo proprietários do Refúgio Serra Fina, Maurício “Anchovas” de Almeida e sua esposa. Eles queriam certificar-se de que ofereceriam algo que também usariam. “Fomos as primeiras cobaias – e muito exigentes, diga-se de passagem”, ele comentou.

Ambientes amplos e integrados no interior do refúgio - Foto: Amandina Morbeck.

Ambientes amplos e integrados no interior do refúgio.

Os dois conheceram vários refúgios mundo afora, observaram montes de detalhes que gostaram e não gostaram e quando decidiram pela construção do refúgio, acrescentaram o que sentiram que seria importante, o que também curtiriam. E o resultado é esse lugar onde não há nada luxo, mas sobram aconchego, conforto, charme, excelente atendimento e beleza natural graças à localização privilegiada nesse pedaço da Serra da Mantiqueira.

 

O que fazer no Refúgio Serra Fina

Por do sol no Refúgio Serra Fina - Foto: Amandina Morbeck.

Tchau, lindo dia; bem-vinda, noite!

Há várias coisas para se fazer naquele lugar incrível:

– nada, a não ser caminhar do quarto para fazer as refeições ou para um dos confortáveis sofás ou para uma das redes na varanda;

– namorar – sim, tem uma aura romântica ali, um sossego muito grande;

– exercitar-se subindo e descendo montanhas;

– curtir cachoeiras;

– curtir a vista das montanhas, assistir a lindos pores do sol e ver o céu ficar salpicado de estrelas;

Vista do Refúgio Serra Fina - Foto: Amandina Morbeck.

O refúgio lá embaixo, abraçado pelas montanhas.

– se deixar embalar pela deliciosa mistura dos diferentes cantos de pássaros o dia todo;

– preparar-se para fazer a travessia da Serra Fina – dali é possível sair para essa aventura (combinar antecipadamente com o Mauricio);

– atletas (e amadores) de corridas de aventura ou de trilha e montanhistas têm muito espaço para treinamento, com diferentes níveis de dificuldades.

 

Trilhas e cachoeiras

Cachoeira do Nico, que fica a 20 minutos de caminhada do refúgio - Foto: Amandina Morbeck.

Cachoeira do Nico, que fica a 20 minutos de caminhada do refúgio.

Como adoro caminhar, subir e descer montanhas, aproveitei as duas trilhas que ficam no terreno da pousada. Uma leva à cachoeira do Nico e a outra à da Divisa. A primeira é mais curta, com 1 km de caminhada e terreno menos íngreme; a segunda já é bem mais íngreme e mais longa, com quase 2 km, e de algumas partes dela se tem vistas panorâmicas do entorno da pousada e mais além, com o horizonte marcado por montanhas altas.

Deu pra juntar o prazer do esforço físico com o de contemplação porque para onde se olha é tudo muito bonito.

 

Um chef de “mão cheia”

Maurício em seu laboratório gastronômico - Foto: Divulgação.

Maurício em seu laboratório gastronômico – Foto: Divulgação.

Entre as mil e uma atividades exercidas por Maurício está a de chef. É ele que elabora o cardápio e vai pro fogão todos os dias no almoço e no jantar – e as ervas e as folhas utilizadas para cozinhar e servidas nas saladas vêm da horta orgânica do refúgio, que fica afastado de Passa Quatro – e a proposta do proprietário é que o hóspede esqueça o carro a partir do momento que o desliga no estacionamento. Assim, todas as refeições são feitas por ele e tudo o que experimentei nos dias que fiquei lá estava delicioso – saladas, risoto, feijoada, truta, linguiça, frango, arroz, feijão, farofa e tortas.

Risoto de abobrinha no Refúgio Serra Fina - Foto: Amandina Morbeck.

Risoto de abobrinha com iscas de frango que deixou saudade também.

Ah, e o café da manhã não fica atrás, com frutas, iogurte natural, bolos, pão e pão de queijo caseiros, cereais, leite e café.

 

Simplicidade?

O refúgio banhado pela luz dourada do por do sol - Foto: Amandina Morbeck.

O refúgio banhado pela luz dourada do por do sol.

A simplicidade que Maurício gosta de mencionar para definir o Refúgio Serra Fina é, digamos, um tanto quanto “chique”, pois nele essa palavra adquire um significado bem diferente do seu uso comum, tanto na estrutura, como já mencionei, quanto na cozinha, no atendimento e no cuidado com todo o entorno.

Tanque para lavar calçados sujos - Refúgio Serra Fina - Foto: Amandina Morbeck.

Tanque para lavar calçados sujos.

O projeto arquitetônico é muito legal, com muita madeira, nenhuma porta range ao ser aberta ou fechada, as de correr deslizam suavemente e não se anda de botas ou de tênis no interior do refúgio, mas de meias ou de chinelos. Os calçados podem ser deixados nas estantes colocadas acima do tanque para lavar botas. O aquecimento da água é feito com energia solar e de todas as torneiras sai água potável.

 

Contato com outros hóspedes

Interior do Refúgio Serra Fina - Foto: Amandina Morbeck.

Espaço aconchegante que favorece a interação entre os hóspedes.

Em albergues e em refúgios há um aspecto que curto muito: a possibilidade de interação com outros hóspedes é muito mais fácil – isto é, quando são simpáticos, pois alguns parecem fazer questão de ignorar quem não faz parte de sua tribo, economizando até mesmo um simples “oi”. (rs)

Felizmente, esse não foi o caso dos diretores da Kailash, Tani Oreggia e Patricia Hofmeister, e do atleta Rafael Campos, que foram muito simpáticos. Conversamos sobre vários assuntos legais e também sobre o porquê de eles estarem ali naquele fim de semana. Confira em detalhes no post A Kailash e o Refúgio Serra Fina.

 

Saí com vontade de voltar

Mínimos cuidados em tudo, até nas placas indicativas - Foto: Amandina Morbeck.

Mínimos cuidados em tudo, até nas placas indicativas.

Deixei o refúgio numa preguiçosa manhã de domingo a tempo de fazer o Passeio no Trem da Serra da Mantiqueira na cidade de Passa Quatro e, de lá, seguir viagem. A essa altura, Maurício já estava na trilha com algumas pessoas, portanto não nos despedimos – ele ficou me enrolando e não me deixou fazer uma foto dele, mas depois enviou uma sensacional como chef, que está neste post. Dei tchau para a superatenciosa Gabriela Mota, recepcionista e anjo da guarda do refúgio (que também faz bolos deliciosos para o café da manhã) e peguei a estrada já pensando nas possíveis datas para meu retorno. Impossível ir apenas uma vez àquele lugar.

Veja o vídeo sobre o refúgio

Como chegar ao refúgio

Portão de entrada do refúgio - Foto: Amandina Morbeck.

Portão de entrada do refúgio.

É preciso ir até o município de Passa Quatro (MG), mas a entrada para o refúgio fica antes da cidade, à direita. Há uma plaquinha indicando, mas se for à noite é bom ficar esperto(a) para não passar direto. Siga as instruções que estão no site. A estrada de terra a partir do Bairro do Quilombo não requer veículo 4×4 na época da seca, mas é bom confirmar suas condições se estiver chovendo.

Depois que sair do refúgio, conheça Passa Quatro. Um dos atrativos lá é o passeio histórico-cultural no Trem da Serra da Mantiqueira, que fiz e recomendo. Leia o post sobre ele e assista ao filme que fiz de todo o trajeto.

Site do refúgio: www.refugioserrafina.com.br
No Facebook: RefugioSerraFina

(Texto, fotos e vídeo: Amandina Morbeck)


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