Primeiro contato com o Uzbequistão

Aeroporto Internacional de Tashkent, Uzbequistão - Foto: www.airlines-inform.ru.

Aeroporto Internacional de Tashkent, Uzbequistão – Foto: www.airlines-inform.ru.

Chegamos à capital do Uzbequistão, Tashkent, via Istambul, pela Turkish Air, num voo direto que durou 4h30min. Se a Turkish é considerada uma das melhores companhias aéreas do mundo, é porque esse trecho não deve ter entrado na média de sua nota. A capital turca é muito popular entre os uzbeques que gostam de compras e certamente está para o Uzbequistão como Miami está para o Brasil. Isso, somado ao desleixo total da tripulação em fiscalizar os limites de bagagem de mão, tornou o voo em uma verdadeira caravana de sacoleiros. Só faltaram animais vivos.

O visto de entrada é dado no aeroporto e demorou um pouco, mas depois de entregue a documentação, todo mundo passou sem problemas. Entre visto, controle de passaporte, coleta de bagagens e raio X, demoramos mais de 1h para sair do aeroporto.

Fachada do Hotel Dedeman Silk Road em Tashkent, Uzbequistão - Foto: Divulgação.

Fachada do Hotel Dedeman Silk Road em Tashkent – Foto: Divulgação.

Ficamos no Hotel Dedeman Silk Road, a primeira ótima surpresa da viagem por sua boa localização e por facilidades, como sauna, piscina e academia, além do ótimo restaurante. Ao almoçarmos uma vez no hotel, decidi que jantaria todas as noites nele e não me arrependi.

Logo, percebi um pequeno choque de gerações: os mais velhos ainda usam roupas tradicionais, enquanto os jovens vestem-se como os ocidentais, com calça jeans, camisetas, tênis - Uzbequistão - Foto: Samyra Serra.

Percebi um pequeno choque de gerações: os mais velhos ainda usam roupas tradicionais, enquanto os jovens vestem-se como os ocidentais, com calça jeans, camisetas, tênis – Foto: Samyra Serra.

O primeiro dia em Tashkent foi livre e acabei não aproveitando muito. Apenas almocei no hotel, dormi à tarde, caminhei na redondeza e comprei alguns lanches para as viagens de ônibus que viriam. Nesse curto passeio, percebi algumas coisas importantes sobre a cidade:
– é bem policiada;
– não podemos fotografar policiais fardados nem o interior das estações do metrô, sob pena de sermos obrigados a apagar as fotos na hora ou de termos o equipamento confiscado se insistirmos no erro. A reação de um policial ou outro pode até ser mais simpática, mas é melhor não arriscar;
– podemos ser questionados ao fotografar hotéis, bancos e repartições públicas. Normalmente não há problemas quando dizemos que somos turistas e mostramos o passaporte, mas vai do julgamento do policial;
– somos terminantemente proibidos de fotografar alguns prédios de órgãos militares e de inteligência. Aqui o buraco é mais embaixo e podemos ser levados para um interrogatório. É fundamental que o visitante informe-se nos hotéis e com os guias sobre essas – e outras possíveis – proibições.

Passarela subterrânea e entrada de uma estação em Tashkent - Foto: Bernardo Bessa.

Passarela subterrânea e entrada de uma estação em Tashkent; aqui, é permitido fotografar – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

À noite, resolvemos sair e optamos pelo CMI Afterparty Bar. Com o endereço na mão, começamos a discutir as opções de transporte, que se resumiam a táxis oficial e informal. O primeiro é mais caro e normalmente é uma empresa que presta o serviço; o segundo é basicamente qualquer pessoa que queira te levar, sem qualquer fiscalização. Optamos pelo informal e lá fomos nós. Ficamos na beira da calçada apontando com o indicador para o chão e esperamos algum motorista parar e aceitar a corrida. Isso mesmo, os motoristas informais normalmente recusam corridas, pois, em geral, aproveitam o caminho que estão fazendo para te levar. Além disso, é comum dividir o carro com estranhos que estão indo para o mesmo rumo. Um aceitou e negociamos o preço por sinais – deu UZS 5.000 (R$ 5) para 4 pessoas.

No bar, fomos revistados antes de entrar. O russão da porta mandou ver em todas as partes do meu corpo sem piedade. Não rolou uma conversa e ele nem quis saber meu nome. Fiquei magoado… 😉 Minha esposa foi revistada por uma moça que também lhe sentou a mão. Por essa não esperávamos, mas levamos na esportiva.

O CMI é uma mistura de pub com lounge e estava bem vazio quando chegamos. Optamos por uma mesa no ambiente dos fundos e ficamos por lá até o final da noitada. Mulheres com drinques, homens com cerveja Baltika, música eletrônica rolando, mais linguagens de sinais e nem vimos o tempo passar. A conta deu aproximadamente R$ 420,00 – UZS 409.000 – e eles não aceitavam cartão. O resultado? Saca só no vídeo abaixo.


(Vídeo: Bernardo A. B. de Lima / Música: Alex – Give It To Me / CC BY-SA 3.0)

Saímos bem tarde e o pub ainda vibrava, principalmente na parte da frente, com balcão e mesas altas. Não deixei de notar a predominância de ascendência russa na maioria dos baladeiros. Com o endereço do hotel anotado, pegamos um táxi na frente da casa noturna pelo dobro do valor da primeira corrida. Acho que era a bandeira 2.

No próximo post – Explorando Tashkent -, vou contar sobre os vários lugares que conheci na capital do Uzbequistão.

(Se você não leu o post anterior, sobre como fui parar nesse lugar tão longe e tão desconhecido de nós, brasileiros, clique aqui.)

(Texto: Bernardo A. B. de Lima / Fotos: Bernardo A. B. de Lima e Samyra Serra)


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