Pantanal de Mato Grosso do Sul na seca

No Buraco das Piranhas, o começo da estrada-parque não tem destaque algum - Pantanal do Mato Grosso do Sul na seca - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

No Buraco das Piranhas, o começo da estrada-parque não tem destaque algum – Foto: Amandina Morbeck.

Agora, era a vez de conhecer o Pantanal de Mato Grosso do Sul na seca.

Chegar a Campo Grande a partir do Pantanal Mato-grossense foi complicado (leia como foi no final deste post). Depois de passar a noite num hotel lá, pegamos a BR 262 logo cedo, sentido Corumbá, saindo no Buraco das Piranhas, na altura do km 656, para entrar na estrada-parque, de onde continuamos em direção ao nosso destino: o Hotel Passo do Lontra no km 8, construído às margens do Rio Miranda.

BR 262 que liga Campo Grande a Corumbá, atravessando o Pantanal de Mato Grosso do Sul na seca: plana e reta - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

BR 262 que liga Campo Grande a Corumbá, atravessando o Pantanal de Mato Grosso do Sul: plana e reta –                    Foto: Janaina Vieira.

A estrada-parque ali cruza o Pantanal até a cidade de Corumbá. Falarei especificamente sobre ela em outro post (clique aqui).

A localização do hotel em que ficamos é excelente e ele é bem-estruturado, todo em madeira. Construído em palafitas para ficar acima da água na época das chuvas, todas as áreas são conectadas com passarelas, e uma mais longa circunda todas as construções para que os hóspedes passeiem mesmo com alagamento. Apesar do cansaço, fomos explorar os arredores.

O hotel, às margens do Rio Miranda, foi construído para todas as estações - Pantanal do Mato Grosso do Sul na seca - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

O hotel, às margens do Rio Miranda, foi construído para todas as estações do Pantanal – Foto: Amandina Morbeck.

Ao lado do hotel, em área doada por seu proprietário, fica um centro de pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, onde alunos estudam a fauna e a flora da região com enfoque preservacionista.

Um casal de araras-azuis que parecia apaixonado - Pantanal do Mato Grosso do Sul - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Um casal de araras-azuis que parecia apaixonado – Foto: Amandina Morbeck.

Com uma caminhada pelas passarelas, pelo gramado e pela estradinha que liga a estrada-parque ao hotel, vimos facilmente capivaras, beija-flores, carcarás, bugios, um casal de araras azuis e várias espécies de pássaros. À beira do Rio Miranda, um deck de madeira era um convite irrecusável para uma parada sossegada para curtir o visual, enquanto a água corria suavemente. De vez em quando passava um barco com pescadores.

Deck às margens do Rio Miranda - Pantanal do Mato Grosso do Sul - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Deck às margens do Rio Miranda – Foto: Amandina Morbeck.

À noite, depois do jantar, fomos para o primeiro passeio ali: focagem de jacarés e de outros animais. No dia anterior turistas tinham visto uma onça-pintada, mas não foi nosso caso. Vimos muitos jacarés, inclusive filhotinhos, algumas capivaras e vários pássaros. A noite chegou e trouxe um céu superestrelado. O vento fresco batia suavemente no meu rosto e eu só curti muito estar ali, abraçada por uma natureza ainda bastante intocada sob um lindo céu estrelado.

Bugio fêmea que parece indicar que só quer sossego - Pantanal do Mato Grosso do Sul na seca - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Bugio fêmea que parece indicar que só quer sossego – Foto: Amandina Morbeck.

Diferentemente do que vivenciamos no Pantanal Mato-grossense, o nascer do dia foi saudado não por aves, mas por macacos bugios, que emitem um som muito estridente, e por uma superpopulação de gaviões carcarás.

Há uma superpopulação de carcarás por ali - Pantanal do Mato Grosso do Sul - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Há uma superpopulação de carcarás por ali – Foto: Amandina Morbeck.

Após o café da manhã, seguimos para um safári na estrada-parque, sentados na carroceria de um caminhão pequeno, em direção a uma fazenda de propriedade do hotel. Pelo caminho, vimos veados, jacarés e pássaros.

 cervos ao longo da estrada-parque - Pantanal do Mato Grosso do Sul - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

cervos ao longo da estrada-parque – Foto: Amandina Morbeck.

Lá, fizemos uma cavalgada antes do almoço. Depois, almoçamos comida típica dos pantaneiros, com peixe, abóbora, feijão e farofa, e fizemos uma sesta. Mais tarde, fomos caminhar.

Paisagem durante a caminhada pela fazenda - Pantanal de Mato Grosso do Sul na seca - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Paisagem durante a caminhada pela fazenda – Foto: Amandina Morbeck.

O guia falava sobre as características da vegetação, sobre os bichinhos que encontramos e por fim, ficamos cara a cara com jacarés e uma ariranha nervosa, que bufava sem parar, confinada a uma poça com pouca água. O guia disse que aquele ano (2009) havia chovido bem abaixo do esperado.

Essa ariranha estava muito irritada confinada numa poça muito rasa - Pantanal de Mato Grosso do Sul - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Essa ariranha estava muito irritada, confinada numa poça muito rasa – Foto: Amandina Morbeck.

No fim da tarde, o caminhão nos levou de volta e cheguei exausta ao hotel.

Depois do jantar, sob aquele céu maravilhoso, sentei numa cadeira no deck para curtir a chegada da noite acompanhada pela suavidade da água descendo e batendo na madeira sob meus pés. Fiquei ali vendo as estrelas surgirem aos poucos, enquanto o último raio de sol desaparecia no horizonte. Seria a última noite ali e eu queria muito não ter sono.

Iguana pendurada numa árvore na margem do Rio Miranda - Pantanal do Mato Grosso do Sul - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Iguana pendurada numa árvore à margem do Rio Miranda – Foto: Amandina Morbeck.

Na manhã seguinte, fizemos um último passeio de barco pelos rios Miranda e Vermelho. Aquele sentimento que aflorou quando eu estava no Pantanal Mato-grossense, experimentei ali também: de que é maravilhoso observar as outras espécies de seres vivos (somos uma delas) em total liberdade, sem interferências. Antes dessa viagem, eu jamais poderia antecipar que o Pantanal seria assim e que eu curtiria tanto.

Rio Miranda - Pantanal de Mato Grosso do Sul - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Rio Miranda – Foto: Amandina Morbeck.

De acordo com a gerente do hotel, seu maior público são pescadores, embora ela também receba turistas em busca de roteiros ecológicos – quase 100% de estrangeiros. Brasileiros vão atrás da pesca. Minha amiga e eu éramos exceções de novo, como havia acontecido no Patanal Mato-grossense.

Rio Vermelho - Pantanal de Mato Grosso do Sul - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Rio Vermelho – Foto: Amandina Morbeck.

Deixamos Passo do Lontra para trás e pegamos a estrada-parque em direção a Corumbá. Na verdade, o destino final aquele dia seria Bonito, onde planejamos chegar antes do cair da noite, mas o problema de andar nas estradas que cruzam o Pantanal – além da velocidade reduzida por serem de terra – é que é quase impossível não parar toda hora.

Esse pássaro, Cafezinho, é muito lindo - Pantanal de Mato Grosso do Sul - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Esse pássaro, Cafezinho, é muito lindo – Foto: Amandina Morbeck.

Assim, todo o planejamento ficou furado e gastamos mais tempo até Corumbá, onde só conhecemos a área do porto. Rodamos um pouco pelas ruas em busca de um restaurante para almoçarmos, mas não encontramos. Compramos besteirinhas para comermos no carro mesmo e pegamos a plana BR-262, cruzando parte do Pantanal agora no asfalto.

Rua do Porto, Corumbá - Pantanal do Mato Grosso do Sul na seca - Foto: Amandina Morbeck.

Rua do Porto, Corumbá – Foto: Amandina Morbeck.

A paisagem continuava bonita, mas não vimos uma ave sequer. E assim, deixamos o Pantanal de Mato Grosso do Sul para trás.

 

Do Pantanal Mato-grossense a Campo Grande

Deixamos a pousada no Pantanal de Mato Grosso por volta das 6h. Passamos de novo por Poconé, seguimos pelo asfalto e pegamos a BR 163 (que liga Mato Grosso ao Paraná) no trecho de Cuiabá a Campo Grande e que sofrimento! Até Rondonópolis (219 km), a rodovia – com pista simples em 90% da extensão – é um lixo, com asfalto irregular e esburacado, sem acostamento e com absurdamente intenso tráfego de carretas, fazendo com que eu dirigisse quilômetros em velocidade super-reduzida entre elas. Para completar, choveu todo o tempo.

Cansada, propus uma brincadeira: que pelos próximos 100 km contássemos os caminhões que conseguíssemos ultrapassar, os que viessem em direção contrária e os que estivessem estacionados nos postos de gasolina ao longo da rodovia – que cedo ou tarde voltariam a rodar. Resultado: ultrapassamos 174, cruzamos com 412 e contamos 73 nos postos! Não recomendo se dirigir nesse trecho, principalmente à noite.

Depois de Rondonópolis, embora ainda com pista simples, o asfalto melhorou e o número de caminhões diminuiu, mas ainda assim foi puxado. Chegamos a Campo Grande às 19h, depois de percorrermos 803 km desde a pousada. No dia seguinte, zarpamos logo cedo em direção ao hotel que seria nosso QG para conhecermos um pouco do Pantanal de Mato Grosso do Sul.

(Texto: Amandina Morbeck; fotos: Amandina Morbeck e Janaina Vieira)


Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.


Receba nossas novidades por e-mail. Para isso, é só preencher seus dados abaixo e clicar em “Enviar”. Ficaremos contentes de ter você em nossa lista!


Posts relacionados (clique nos títulos para acessá-los):

– Não existe apenas um Pantanal

– Um pouco sobre o Pantanal

– Pantanal Mato-grossense na seca

– A Transpantaneira

– A estrada-parque do Pantanal de Mato Grosso do Sul

– Pantanal Mato-grossense na cheia

– Passeios de barco no Pantanal Mato-grossense na cheia

– Explorando a Transpantaneira entre os kms 100 e 130

– Tuiuiú, o símbolo do Pantanal


Comments

comments

One comment

  1. Larissa on 18/02/2016 at 10:44 said:

    Olá, gostei muito do seu post. Estou organizando uma viagem para o pantanal na seca, mas estou em dúvida se opto pelo pantanal do Mato Grosso ou do Mato Grosso do Sul. Nosso intuito é fazer o ecoturismo mesmo! Qual você indicaria? Qual possui uma variedade maior de animais?
    Obrigada

Comente este post

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *