Explorando Tashkent, a capital do Uzbequistão

Chama eterna no Memorial da Segunda Guerra em Tashkent, a capital do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Chama eterna no Memorial da Segunda Guerra – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

Considerando a ótima experiência com o restaurante do hotel no dia anterior, resolvi acordar bem cedo para aproveitar o café da manhã com tranquilidade antes de começarmos a excursão por Tashkent, a capital do Uzbequistão. Fiz uma sábia decisão, pois o desjejum foi um misto de café internacional com toques de produtos locais e tive tempo de provar quase tudo. O destaque foi o ótimo serviço dos funcionários, os queijos, iogurtes e as infusões. Bem “abastecido”, lá fui eu para o primeiro passeio pela metrópole.

Monumento da Coragem em Tashkent, a capital do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Monumento da Coragem – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

Começamos pelo Monumento da Coragem, um conjunto de praça e estátua em homenagem à resiliência do povo da capital durante o terremoto de 26 de abril de 1966, que reduziu a cidade a pó. Aqui já se revelou a importância de um bom guia, pois há alguns detalhes do monumento que podem passar despercebidos e fizeram diferença na apreciação completa da obra. A próxima etapa foi a visita ao complexo Imam Hazrati, um conjunto de construções datadas de diversos períodos, renovado e ampliado em 2007. Um lugar muito bonito e bem conservado, que vale a pena ser explorado com calma onde vimos:

Imam Hazrati em Tashkent, a capital do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Mesquita Imam Hazrati – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

– Mesquita Imam Hazrati. Um dos prédios adicionados na renovação de 2007. No pátio interno há um belo terraço em madeira entalhada, uma ode à tradição artesã de Tashkent, além de dois grandes minaretes na entrada, mas não conseguimos visitar o seu interior.

Muyi Muborak em Tashkent, a capital do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Madrassa Muyi Muborak – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

– Madrassa (escola islâmica) Muyi Muborak Atualmente funcionando como uma biblioteca-museu onde são guardados manuscritos antigos e o alcorão mais antigo do mundo, datado do século VII. Nesse nós entramos, mas era proibido fotografar.

Barack Khan em Tashkent, a capital do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Madrassa Barack Khan – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

– Madrassa Barack Khan Além de apreciarmos arquitetura do prédio, compramos artesanato a preços bem interessantes. Nesse complexo também estão o Instituto Islâmico Al-Bukhari – a primeira instituição de ensino religioso sob o regime soviético – construído sobre as ruínas da mesquita Namaz-gokh e o mausoléu de Kaffal Shashi, o primeiro imã de Tashkent e um dos primeiros do mundo islâmico. A visita a esse lugar é obrigatória. Para mim, foi o destaque de nossa andança na capital uzbeque, mesmo sem podermos entrar em alguns dos prédios. A arquitetura e o paisagismo já fazem a visita valer a pena e os jardins convidam a um piquenique de fim de tarde. Só não sei se isso é permitido.

Museu de Artes em Tashkent, a capital do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Museu de Artes Aplicadas – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

Depois, visitamos o pequeno museu de artes aplicadas, uma boa amostra do trabalho artesanal uzbeque, principalmente o entalhe em madeira. Gostei do acervo, mas a maioria dos companheiros de excursão simplesmente passou o olho no local, sem aparentar muito interesse. Fizemos uma pausa para almoço no restaurante Sim Sim. Pedi para o guia solicitar ao gerente o melhor prato com carne para duas pessoas da casa e não me arrependi da escolha.   Passeio da tarde

Memorial da Segunda Guerra em Tashkent, a capital do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Memorial da Segunda Guerra – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

A primeira parada foi no Memorial da Segunda Guerra, que homenageia os 400 mil uzbeques mortos durante o conflito, lembrados por listas de nomes gravadas em folhas de metal dourado e por uma chama eterna em frente a uma estátua de uma mulher triste. Embora não seja um local religioso, percebi que os uzbeques o visitam com profundo respeito e introspecção. Alguns até jogam moedas no pedestal da chama eterna depois de uns minutos de silêncio, como um pequeno tributo aos mortos.

Detalhe com nomes dos soldados mortos no Memorial da Segunda Guerra em Tashkent, a capital do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Detalhe com nomes dos soldados mortos no Memorial da Segunda Guerra – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

O memorial fica dentro da área da Praça da Independência, que está mais para um parque urbanizado do que para uma praça propriamente dita. É uma área muito grande, limpa, com paisagismo bem executado, cercada por prédios públicos, fontes e monumentos. Lugar agradável e bonito, somente prejudicado pela falta de árvores mais frondosas para um descanso mais adequado sob suas sombras. Nesse local, o visitante poderá ser abordado por estudantes querendo praticar o inglês e terá a chance de presenciar um casamento ao ar livre, muito comum nas áreas públicas de lazer.

Praça da Independência, Tashkent, a capital do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Praça da Independência – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

De lá, seguimos para a Rua Saligokh, com uma pequena pausa para observar um antigo prédio da KGB, hoje quartel-general do serviço de inteligência do Estado e um dos edifícios que não podíamos fotografar. Conhecida localmente por Broadway, a rua passa por um parque arborizado onde artistas vendem suas criações e há uma feira de badulaques. Os amantes da fotografia podem garimpar por antigas lentes russas, facilmente adaptáveis às câmeras atuais. Não consegui negociar porque carregava pouco dinheiro na hora e não havia levado um adaptador para testar a lente na minha câmera. Uma feirinha interessante, onde podemos comprar algumas tranqueiras que não encontramos em qualquer lugar.

Amir Timur em Tashkent, a capital do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Estátua de Tarmelão na Praça Amir Temur – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

No caminho, quase no fim do passeio, nos deparamos com um casamento ao ar livre e todo mundo parou para fotografar. Inicialmente, os noivos ficaram sem graça, mas logo levaram na brincadeira e me pareceu que se divertiram bastante com a gente.

Casamento na Rua Saligokh em Tashkent, a capital do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Casamento na Rua Saligokh – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

A última parada do dia, já com o sol dourado, foi na gramada Praça Amir Temur, próxima da Rua Saligokh, com uma estátua de Tamerlão e algumas fontes. Ali, ouvimos histórias sobre o líder uzbeque e sobre o próprio monumento, projetado originalmente em 1870. Ao redor também há alguns pontos de interesse, como o palácio do Congresso, o Hotel Uzbesquistão e sua curiosa fachada e a Galeria de Arte Moderna.

Fachada do Hotel Uzbequistão, próximo da Praça Amir Temur em Tashkent, a capital do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Fachada do Hotel Uzbequistão, próximo da Praça Amir Temur – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

Depois de um excelente jantar no hotel, fomos dormir. Nada de aproveitar a noite novamente porque teríamos de acordar cedo no dia seguinte para viajarmos de ônibus a Samarcanda para uma incursão de vários dias pelo interior do país (papo para outro post).

Despedida do Uzbequistão

Depois de conhecer o interior, voltamos para a capital, Tashkent, para aproveitar o último dia da viagem antes de voltarmos a Istambul, de onde voaríamos pro Brasil. Apesar de já estar há 15 dias no país, ainda não havia comido uma das iguarias tradicionais: carne de cavalo. Assim, meus planos para me despedir se resumiram a buscar um local para consumir equinos. Minha esposa preferiu não provar, então só saímos do hotel depois que ela almoçou.

No restaurante em Tashkent, capital do Uzbequistão, que serve o tradicional plov - Foto: Bernardo Bessa.

No restaurante que serve o tradicional plov – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

Fomos ao Centro do Plov, um local indicado pelo nosso guia. Plov é o prato mais popular do Uzbequistão. Em sua forma mais simples, é arroz cozido com carne, cenoura e cebola num kazan, um tipo de panela em ferro fundido, sobre fogo aberto. Normalmente, a carne usada para preparação é de boi ou de carneiro e também podem ser adicionadas frutas frescas ou secas, grão de bico e ervas variadas. O que é servido no Centro, na versão completa, vem acompanhado de fatias de carnes ovina, equina e bovina, além de ovos de codorna e de galinha. O Centro do Plov é um restaurante gigantesco que só serve plov e sua clientela é basicamente de profissionais em horário de almoço. Portanto, o ritmo de serviço é frenético. Só precisei aproximar-me de uma das panelas gigantes e dizer para uma moça: “One, complete”. Sentamos a uma mesa compartilhada e aguardamos. E eis que ela trouxe dois pratos, mas nem deu tempo de tentar explicar o engano, pois ela já saiu para atender outras pessoas. Acabei comendo os dois porque não gosto de desperdiçar comida. 🙂

Plov, prato típico do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Panelão de ferro com plov, prato típico do país – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

A carne de cavalo veio servida em fatias finas de kazi, um tipo de linguiça. Era mais dura que nossa tradicional linguiça suína e o gosto é bem diferente, mas não estranhei. Se eu comesse sem saber o que era, diria que era uma carne de segunda de um corte de gado que não conhecia. Não é bizarro, mas também não achei marcante. Talvez existam outras receitas melhores. Valeu pela curiosidade, pelo preço camarada e por presenciar o burburinho da vida local.

Memorial das Vítimas da Repressão em Tashkent, capital do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Memorial das Vítimas da Repressão – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

Depois de um chá, fomos ao Memorial para as Vítimas da Repressão, bem próximo ao Centro, que homenageia as vítimas do regime soviético e das incursões czaristas entre os séculos XVI e XIX. Consiste num conjunto de praça, monumento e museu, cujo acervo é concentrado no período stalinista e tem como fonte os arquivos da KGB. Lugar tranquilo e bonito, perfeito para relaxar depois da comilança. Infelizmente, o museu estava fechado quando fomos.

Torre de TV, Tashkent, capital do Uzbequistão - Foto: Bernardo Bessa.

Torre de TV – Foto: Bernardo A. B. de Lima.

O próximo passo seria subir na Torre de TV, mas como meu interesse era tirar fotos do por do sol, acabei desistindo porque ela fechava cedo. Não achei que valeria a pena subir para tirar fotos convencionais, sendo que em Tashkent ainda não existe um skyline interessante, a meu ver. No fim, voltamos para o hotel, mas me arrependo amargamente de não ter ido ao Bazar Chorsu, o mercado central de Tashkent, inexplicavelmente não incluído no roteiro da excursão.

No geral, apreciei minha estadia em Tashkent, uma cidade moderna, bem cuidada e urbanizada. Não é uma grande metrópole com muitas opções de baladas, compras, shows e grandes restaurantes, mas o que tem disponível me pareceu suficiente para alguns dias. Uma bela porta de entrada para o início da viagem.

(Se ainda não leu e ficou curioso para saber como cheguei tão longe, leia o post Uzbequistão? O que você vai fazer lá?)

(Texto e fotos: Bernardo A. B. de Lima)


Receba nossas novidades por e-mail. Para isso, é só preencher seus dados abaixo e clicar em “Enviar”. Ficaremos contentes de ter você em nossa lista!


Comments

comments

Comente este post

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *