E eu era vegetariana…

Rua de Luang Prabang - Foto: Amandina Morbeck.

Rua de Luang Prabang (a qualidade da foto está ruim porque tive de digitalizá-la).

No texto Pronta para conhecer o Laos, contei como foi atravessar a fronteira da Tailândia com o Laos e os perrengues que passei até chegar a Luang Prabang – agora, em E eu era vegetariana, conto sobre meu susto ao descobrir sobre o que havia na deliciosa sopa que comia pela manhã.

 

Sopa deliciosa no desjejum

Adoro tomar sopa bem aguada de manhã, um hábito que adquiri no período que morei na Tailândia. E quando estava por lá, sempre que possível eu optava por uma sopinha bem quente para começar o dia.

A pousada onde fiquei em Luang Prabang era bem próxima de um pequeno mercado e, numa das barracas, uma mulher servia sopa. Na primeira manhã ali, quando vi a panelona de sopa e as pessoas comendo com cara de felizes, falei pra Marie que era o que eu queria. Fomos, então, até uma banca que vendia pães e compramos uns pra acompanhar a sopa.

Pois bem, pedi uma tigela e estava uma delícia! Comi tudo e no dia seguinte, lá estava eu de novo para o desjejum. E assim foi até o quarto dia.

Cheguei e a senhora fez um sinal de que era para esperar um pouquinho. Marie e eu sentamos e ficamos observando o trabalho dela. De repente, ela tirou meio porco – quero dizer, meio porco mesmo, partido do focinho ao rabo – de dentro da panelona. Levei um susto enorme! Eu não comia carne há anos e como a sopa não tinha nada de carne, deduzi que era vegetariana.

Marie olhou pra mim e começou a rir incontrolavelmente – ela comia até carne crua e sempre ficava me zoando às refeições. Senti meu estômago embrulhar e levantei pra ir embora. A senhora ficou sem entender por que, do nada, eu suspendi meu pedido. Não adiantava tentar explicar a ela, pensei.

Marie veio atrás de mim e, rindo muito ainda, perguntou por que fazia diferença agora se eu já havia comido ali três dias consecutivos, achando tudo uma delícia. Pois é, coisas da mente. Depois de ter visto a metade daquele porco sendo tirada da panelona, não conseguia mais pensar em comer aquela sopa. Será que ela era tão boa por causa disso? E todas as outras que eu havia comido até ali, será que eram feitas da mesma forma?

Achei melhor deixar essas conjecturas de lado, pois não adiantariam mais. Após esse evento, eu só tomava sopa depois de me certificar de que realmente não havia “suco de bichinhos” nela. (rs) Várias vezes, pedi pra entrar na cozinha para me certificar. Tempos depois, deixei de ser vegetariana, mas até hoje lembro dessa história e do meu susto naquela manhã de fevereiro. E realmente não posso negar: a sopa era uma delícia! (rs)

(Texto e foto: Amandina Morbeck)


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6- Pronta para conhecer o Laos

7- E eu era vegetariana…

8- A cerimônia de bênção da pousada em Luang Prabang

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