Circuito W, Torres del Paine, Chile – Geral

Mapa do parque com Circuito W, Torres del Paine, Chile, em destaque - Ilustração: CONAF.

Mapa do parque com Circuito W em destaque; em amarelo, o trajeto do barco – Ilustração: CONAF.

Fazer o Circuito W, Torres del Paine, Chile foi a realização de um sonho antigo. E realmente, o Parque Torres del Paine é o lugar mais bonito que conheci até hoje! As paisagens são de tirar de fôlego e é difícil dizer o que é mais bonito e o trekking foi muito mais do que eu pude antecipar, em vários sentidos:

– o tempo estava surpreendentemente mais quente do que esperado durante o dia;

– o famoso vento patagônico soprou apenas no penúltimo e no último dias;

– as trilhas são muito bem sinalizadas;

– ter ficado em refúgios foi uma excelente opção, fazendo com que minhas amigas e eu pudéssemos caminhar mais leves.

Altimetria do Circuito W, Torres del Paine, Chile nos dois sentidos - Ilustração: site Andes Mountain.

Altimetria do Circuito W nos dois sentidos – Ilustração: site Andes Mountain.

O circuito pode ser iniciado em Laguna Amarga/Torres e continuar em direção ao Paine Grande, como foi nosso caso, ou o contrário. Analisando a altimetria do percurso, achei que era melhor assim e, depois que o terminei, continuo acreditando nisso.

Algumas pessoas dizem que o vento sopra de Paine Grande para Torres, mas não posso falar sobre isso, pois somente no terceiro dia, faltando 1h30min para chegarmos ao Refúgio Paine Grande, que ele soprou de verdade pela primeira vez. Naquele ponto, porém, ele não batia de frente, mas de lado e me fez cambalear algumas vezes. No dia seguinte, quando fomos até o mirante do Lago e da Geleira Grey, ele esteve presente todo o tempo entre Laguna dos Patos e o mirante.

De cara pro Maciço Paine pela primeira vez, no mirante em Laguna Amarga - Torres del Paine, Chile - Foto: Amandina Morbeck.

De cara pro Maciço Paine pela primeira vez, no mirante em Laguna Amarga – Foto: Amandina Morbeck.

Se você for fazer o circuito um dia, pesquise e siga sua razão ao avaliar as duas possibilidades. No caminho, encontrei trekkers em ambas as direções.

As trilhas são bem sinalizadas e profundas no solo, que tem partes com terra socada, com pedras soltas, com raízes de árvores, com lama, com pedras firmes e com travessias de riachos sem pontes que não oferecem riscos. Houve apenas um riacho com mais água e pedras soltas que nos deixou um pouco inseguras, mas havia um guia atravessando seu grupo e ele nos deu uma força, por precaução, mas tantos outros trekkers já haviam passado por ali sem problemas.

Placas como essa, ao longo do Circuito W, Torres del Paine, Chile são encontradas ao longo da trilha - Foto: Amandina Morbeck.

Placas como essa são encontradas ao longo da trilha – Foto: Amandina Morbeck.

Guia Circuito W - Torres del Paine, Chile - Amandina Morbeck.O relevo exige preparo físico. Afinal, é montanha, há subidas e descidas íngremes e é preciso carregar peso nas costas. Não há necessidade de ser atleta ou ter um supercondicionamento, mas quem é sedentário ou mais ou menos ativo deve fazer um período de preparação física para fortalecimento muscular e cardiorrespiratório. É importante lembrar que qualquer atividade ao ar livre tem riscos, por isso é fundamental minimizá-los ao máximo naquilo que depende de nós. O Parque Torres del Paine fica afastado da civilização – e bastante afastado. Assim, resgates por problema de saúde ou por acidente na trilha me pareceram complicados. Para você ter uma ideia, do começo ao fim do trekking não vi um guarda-parque, ou seja, fora dos refúgios é preciso contar com a ajuda de outros trekkers se houver algum problema. E celular não funciona lá.

O transporte de mantimentos para os refúgios El Chileno e Los Cuernos é feito com cavalos - Circuito W, Torres del Paine, Chile - Foto: Amandina Morbeck.

O transporte de mantimentos para os refúgios El Chileno e Los Cuernos é feito com cavalos – Foto: Amandina Morbeck.

De qualquer forma, não há necessidade de contratar guia para o percurso, embora eles existam e façam seu trabalho. Assim como não há necessidade de carregadores (porters) de mochilas cargueiras, mas eles também estão por lá e podem ser encontrados nos refúgios. Se você não gosta de carregar peso ou tem problema nas costas, mas ainda assim consegue caminhar, eles são uma opção. O circuito é seguro e encontrei várias pessoas sozinhas – inclusive mulheres – do Brasil e de outros países, que ficavam nos refúgios ou nos acampamentos.

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Trecho da descida/subida do/para Refúgio El Chileno/Mirante Las Torres no Circuito W, Torres del Paine, Chile - Foto: Amandina Morbeck.

Trecho da descida/subida do/para Refúgio El Chileno/Mirante Las Torres – Foto: Amandina Morbeck.

Durante o percurso, encontramos outros trekkers vindos na direção contrária ou seguindo na mesma direção, geralmente nos ultrapassando, pois caminhávamos mais devagar e parávamos muitas vezes para fotografar e para curtir o visual. Existe uma cordialidade entre todos e foram raros os que passaram por nós sem um cumprimento. Quem estava na subida da trilha, quando não havia espaço para compartilhar com quem estava descendo, sempre tinha preferência, assim como é legal parar e deixar pessoas mais rápidas passarem. Talvez porque o astral naquele lugar seja muito bom, isso ajuda a tornar as pessoas mais simpáticas.

Deixando o Vale Ascencio para continuar em direção ao Refúgio Los Cuernos durante o Circuito W, Torres del Paine, Chile - Foto: Amandina Morbeck.

Deixando o Vale do Ascencio para continuar em direção ao Refúgio Los Cuernos – Foto: Amandina Morbeck.

Minhas observações:

– leve baterias extras para sua câmera fotográfica/filmadora e outros portáteis, pois não há disponibilidade de tomadas nos refúgios/acampamentos, a não ser no Paine Grande;

– abuse do protetor solar, com ou sem sol, e passe mais de uma vez por dia. O buraco na camada de ozônio fica bem em cima da Patagônia no verão (setembro a março). Mesmo sem sol, o mormaço queimava muito;

– como amanhece umas 4h da manhã e escurece muito tarde, por volta das 22h30, não há necessidade de acordar de madrugada. O tempo na trilha pode ser feito com calma para curtir as paisagens, com paradas para lanche e para fazer fotos – a não ser que as condições climáticas não sejam das melhores;

– a partir do início da trilha para o refúgio Los Cuernos (lembrando que comecei de Las Torres) até Paine Grande – e depois, de lá até o Grey – há muitos pontos com água geladíssima, que desce direto do degelo nas montanhas, portanto não há necessidade de levar mais que uma garrafinha cheia para ir tomando entre os veios de água – o que significa peso a menos em sua mochila;

– do Refúgio Torres Central ao Refúgio El Chileno (e volta) não há água na maior parte do caminho, que é basicamente só subida. Nesse trecho, é importante levar reserva, principalmente com tempo aberto e sol quente.

Vista do Lago Nordernskjold no dia 2 do trekking, com tempo nublado e mais friozinho - Circuito W, Torres del Paine, Chile - Circuito W, em Torres del Paine, Chile - Foto: Amandina Morbeck.

Vista do Lago Nordernskjold no dia 2 do trekking, com tempo nublado e mais friozinho – Foto: Amandina Morbeck.

Ao todo, foram 4 dias de trekking e 5 noites nos refúgios – a primeira noite é no Torres Central, depois de chegarmos à entrada do parque por volta das 16h vindo de Puerto Natales. Não há caminhada esse dia. Chegando a Laguna Amarga (veja em Como chegar a Torres del Paine) é só pegar o transfer até lá (veja sobre todos eles em Os refúgios ao longo do Circuito W).

Não me cansarei de repetir sobre o quanto as paisagens são maravilhosas por lá. Assim que chegamos, só de ver o pedacinho que cercava o Torres Central, minha vontade foi de colocar as botas na trilha o mais rápido possível. E a cada dia do roteiro eram novas descobertas, novos desafios, novas superações, novas paisagens e muita alegria, mesmo em meio ao cansaço e à dor muscular, que fazem parte também. Ter compartilhado tudo com minhas amigas foi muito legal. Ao fim de tudo, comemoramos muito o feito, pois não é todo dia que fazemos algo assim, de caminhar mais de 50 km no sobe e desce, tendo por companhia sol, chuva, vento, pedras, bosques, plantas rasteiras, riachos gelados de água de degelo, montanhas, lagos, peso nas costas, beliche, pontes suspensas, neve no alto das montanhas, barulho de avalanches, nuvens escuras e céu azul.

Minhas 3 amigas e eu no segundo dia de trekking no Circuito W, Torres del Paine, Chile - Foto:

Nós 4, no segundo dia de trekking – Foto: Emily.

No último dia, caminhando até o píer em Paine Grande, eu pensava no quanto tinha sido intenso e maravilhoso tudo o que eu havia vivenciado nos 4 dias de trekking: desafio físico e superação cercada pela beleza e pela grandeza daquele lugar que, indiferente, há tantos anos recebe trekkers como eu, vindos de diversos países. Senti uma emoção forte porque parece que só então a ficha caiu e percebi que um dos meus sonhos, acalentado por tantos anos, tinha sido concretizado com muito sucesso, inclusive sem uma bolha nos pés.

Da fila para entrar no barco que nos levaria a Pudeto, fiz as última fotos do refúgio, do Paine Grande e do Maciço del Paine. O tão esperado trekking no Circuito W havia chegado ao fim, mas me deixou com mais vontade ainda de fazer outros e, mais do que tudo, reafirmou fortemente que a melhor coisa para mim é estar em contato muito próximo dos elementos naturais.

Não sou de cidade. Me sinto bem mesmo – e muito mais feliz – é na natureza. Sou um bicho da terra, da água, do sol, da lua, da chuva, do vento, das estrelas, das árvores, das nuvens, do céu, das pedras, das montanhas, da noite, do dia, do ar puro. Mal posso esperar pela próxima aventura.

Escrever sobre essa experiência foi muito legal, pois revivi cada emoção, revendo aquelas paisagens e sentindo uma saudade gostosa. Então, vamos ao relato diário do trekking. Clique nos títulos para acessar o texto de cada dia:

– Circuito W, dia 1

– Circuito W, dia 2

– Circuito W, dia 3

– Circuito W, dia 4

Veja mais fotos da Patagônia Chilena clicando aqui.

Leia também: Sua mala pode ser facilmente aberta mesmo com cadeado

(Texto: Amandina Morbeck; fotos: Amandina Morbeck e Emily; ilustrações: CONAF e Andes Mountain)


Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.


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– Os refúgios ao longo do Circuito W em Torres del Paine, Chile

– Cueva del Milodón, Puerto Natales, Chile

– Isla Magdalena, Punta Arenas, Chile

– Puerto Natales e Punta Arenas, Chile

 

Restaurantes, bar e café que recomendo na Patagônia Chilena:

– Afrigonia – Puerto Natales, Chile

– Angelica’s – Puerto Natales, Chile

– El Living – Puerto Natales, Chile

– Baguales – Puerto Natales, Chile

– Café Ñhandu – Puerto Natales, Chile

– La Marmita – Punta Arenas, Chile


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