China lança seguro antipoluição do ar para turistas

A diferença em Pequim: mergulhada no ar poluído e num dia limpo - China lança seguro antipoluição do ar para turistas - Foto: Reprodução/Reuters.

A diferença em Pequim: mergulhada no ar poluído e num dia limpo – Foto: Reprodução/Reuters.

Dá para acreditar que um país lance um seguro antipoluição do ar para turistas? Pois é isso que está acontecendo na China, um dos países mais poluídos do mundo, mas que não quer perder visitantes – e achei importante publicar este post para alertar você caso tenha aquele país como destino.

Como funciona esse seguro?

A um custo diário de 10 a 15 iuanes (R$ 3,70 a 5,60), turistas podem ser indenizados com cerca de 50 iuanes (R$ 18) por dia de viagem se a visita for prejudica pela poluição – isso se os níveis forem considerados acima do “saudável” e que também prejudiquem as fotos. E como requerer o seguro? É um pouquinho complicado: se estiver em Pequim ou Xian, cidades no norte da China com índices de poluição elevados, o turista precisa ser afetado por vários dias nos quais esses índices ultrapassem 200 pontos (uma determinação nacional que significa “fortemente contaminado”); no sul, em cidades com Xangai e Cantão, o limite é até 100 pontos.

O que as agências de viagem perceberam é que essa contaminação atmosférica está prejudicando o turismo, por isso a tentativa de minimizar o problema oferecendo uma compensação financeira. Agora, a questão é saber quanto custa sua saúde – e não só o fato de não conseguir tirar boas fotos.

Uso de máscara para amenizar os danos causados pela poluição do ar - Foto: Reprodução/China Out/AFP.

Uso de máscara para amenizar os danos causados pela poluição do ar – Foto: Reprodução/China Out/AFP.

Como se verifica a qualidade do ar?

Um dos índices para qualificar a qualidade do ar é a verificação da quantidade de partículas inaláveis (resultantes da combustão incompletas de fósseis utilizados por veículos automotores e por usinas a carvão) com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros por metro cúbico (PM 2,5). Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), um valor de 25 microgramas é considerado seguro. Agora, veja: em janeiro deste ano o ar de Pequim tinha valor acima de 600 microgramas! Províncias com atividade industrial mais forte, como as que ficam ao norte da China, já registraram mais de 1.000 microgramas. A região norte é a mais poluída no país, mas a situação também é complicada em cidades costeiras, como Xangai, com PM acima de 600.

Em Pequim, painéis como esse mostram o nascer do sol, pois o verdadeiro não pode ser visto por causa da poluição - China lança seguro antipoluição do ar para turistas - Foto: Reprodução/Daily Mail.

Em Pequim, painéis como esse mostram o nascer do sol, pois o verdadeiro não pode ser visto por causa da poluição – Foto: Reprodução/Daily Mail.

Nascer do sol em telões digitais

Em Pequim, o governo adotou uma medida muito peculiar para “lidar” com a impossibilidade dos moradores verem o nascer do sol, escondido pela fumaça cinzenta que cobre a cidade: a transmissão de imagens do nascer do sol em painéis digitais espalhados na cidade. As telas utilizadas para exibir informações turísticas e comerciais agora apresentam também uma recriação digital do amanhecer escondido pela poluição do ar.

Não podemos pensar que esse problema local não afeta todo o planeta. Um estudo publicado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos mostra que os ventos do oeste trazem agentes químicos que atravessam o oceano, principalmente na primavera, e causam aumento dos poluentes. Isso resulta em acúmulo de pó, carbono negro e aumento de ozônio nos vales e nas depressões californianas. De acordo com o estudo, esses poluentes provocam elevação nos casos de asma, de câncer, de enfisema e de problemas pulmonares e cardíacos.

Parece neblina, mas é poluição pura - Foto: Reprodução/Getty Images.

Parece neblina, mas é poluição pura – Foto: Reprodução/Getty Images.

Prejuízos ao bolso e à saúde

Estudo realizado com apoio da Agência de Proteção Ambiental dos EUA mostra que a poluição do ar contribuiu para pelo menos 1,2 milhão de mortes prematuras em 2010. Em 2013, esse problema na China foi o pior dos últimos 52 anos e mais de 100 cidades tiveram uma média de 29,9 dias por mês (ou seja, o mês todo) com névoa de poeira.

Em fevereiro deste ano, um morador de Shijiazhuang, capital da província de Hebei chamado Li Guixin entrou com uma ação contra o governo por não reduzir essa poluição. Ele também busca compensação para quem mora na cidade. Para justificar sua atitude, ele afirma: “Estou pedindo essa compensação administrativa para que cada cidadão veja que, em meio a essa névoa, nós somos as verdadeiras vítimas. (…) Além dos danos à saúde, também sofremos perdas econômicas, que devem ser amparadas pelo governo e pelos órgãos ambientais porque o governo é o destinatário de impostos corporativos, é um beneficiário” – nesse caso porque, em dezembro do ano passado, ele (e muitos chineses) gastou dinheiro comprando máscaras faciais, purificador de ar e esteira para fazer exercícios em casa. Se o tribunal vai aceitar sua ação, é outra história, mas isso mostra o quanto esse problema é sério naquele país.

Antes de sua viagem à China

Se for viajar para a China, verifique as condições atmosféricas nas principais cidades lá. Há períodos em que a poluição do ar é mais forte.


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