Buenos Aires, Argentina, a Paris da América Latina

Av. 9 de Julho e seu obelisco - Buenos Aires, Argentina - Foto: Amandina Morbeck

Av. 9 de Julho e seu obelisco – Foto: Amandina Morbeck.

Viajar para Buenos Aires, Argentina, a Paris da América Latina, é muito fácil e está bem mais acessível para brasileiros, com inúmeras opções de hotéis, de restaurantes e de diversão. No entanto, não posso dizer, como ouvi muito antes de viajar, que as coisas lá são muito baratas, como roupa, e que os outlets são o máximo.

Discutirei esses pontos ao longo deste post, no qual faço uma apresentação geral de minha primeira visita à Buenos Aires. Detalharei os passeios em posts separados, que podem ser acessados ao final deste texto.

Para circular pela cidade quando queria ganhar tempo, escolhi táxis. Também andei de metrô e de trem (para ir a Tigre) e caminhei bastante.

Adoro caminhar! Para mim, é a melhor forma de me integrar a um lugar, porque é quando tenho a oportunidade de, ainda que superficialmente, observar um pouco mais a realidade dos habitantes do lugar: o dono da quitanda arrumando as caixas de frutas, o porteiro polindo as maçanetas da porta de entrada do prédio, a senhora idosa passeando com o cachorro, as pessoas sentadas nos cafés lendo jornais, o senhor com sua pasta montando na bicicleta a caminho de algum lugar e por aí afora. Agora, na maioria das calçadas é preciso ter um cuidado extra: há cocô de cachorro na maioria delas, principalmente nas ruas dos bairros menos turísticos.

Quando caminhamos, é possível pegar uns momentos interessantes, como esse. Buenos Aires, Argentina - Foto: Amandina Morbeck

Quando caminhamos pelas ruas, é possível pegar uns momentos interessantes, como esse. Foto: Amandina Morbeck.

Buenos Aires é vibrante e muito mais que um centro de consumo ou onde o tango é sempre a bola da vez. É muito menos poluída que São Paulo, tem muitas áreas verdes e é visitada por milhões de turistas estrangeiros todos os anos – os brasileiros representaram 34% desse montante ou 797 mil visitantes de janeiro a novembro de 2010.

Nesta série de posts sobre minha viagem, que fiz em abril/2011, gostaria de destacar que minha experiência pode não refletir o que outras pessoas vivenciaram. Assim como não acreditei que amaria, odiaria ou ficaria indiferente ao que a cidade e seus habitantes têm a oferecer pelos olhos e pela vivência de outras pessoas. Argentinos (ou portenhos) nada têm de mais nem de menos, são seres humanos e naturalmente alguns são mais simpáticos que outros, como acontece em qualquer lugar.

Quando o passeio de uma semana acabou, entrei no avião de volta para São Paulo com o coração feliz, e ao ver Buenos Aires toda iluminada lá embaixo, alguns minutos depois, senti vontade de voltar e também de recomendar esse passeio às pessoas que conheço – e agora, pelo blog, até às que não conheço.

Imponente fachada num dos belos edifícios espalhados pela cidade - Buenos Aires, Argentina - Foto: Amandina Morbeck

Imponente fachada num dos belos edifícios espalhados pela cidade – Foto: Amandina Morbeck.

Arquitetura imponente, avenidas largas e longas, muitos parques e ruas arborizadas em ambos os lados – na maioria das vezes com plátanos e geralmente encontradas fora do centro – tornam Buenos Aires mais agradável aos olhos.

Com um mapa simples, desses fornecidos na recepção do hotel ou na locadora de automóveis, é muito fácil circular por ela – que tem a vantagem de ser bem plana. Ao todo, caminhei mais de 30 km por lá. Quando pegava metrô, era fácil saber onde descer e nos táxis eu ficava olhando no mapa para ver se o motorista estava indo na direção correta. Para deixá-lo saber que eu estava fazendo isso, comentava em voz alta, com meu horrível “portunhol” (vergonha absoluta, tanto que me propus a aprender a falar em espanhol e realmente me matriculei numa escola), sobre um ou outro ponto de destaque ao longo do caminho.

Isso nos leva à questão mais comentada por brasileiros que me contaram sobre suas viagens: cuidado com taxistas por causa de notas falsas. Não tive nenhum problema com relação a isso, mas um amigo meu viu uma brasileira gritando no aeroporto, xingando até a última geração de argentinos porque um taxista a havia enganado (veja o box no fim deste texto). Certamente que atitudes assim – do taxista e da brasileira – não são positivas para nenhum dos lados, mas com minha experiência, somada a de outros amigos que participaram dessa viagem, posso afirmar que não são todos os taxistas que fazem isso, ou seja, não cabe generalização. Mas já que existem casos comprovados, é bom ficar esperto.

Os taxistas com quem rodei geralmente ficavam muito na deles, não puxavam papo. Quando o faziam, ou não eram argentinos ou acabavam sendo invasivos, fazendo milhões de perguntas. Nesses casos, não havia por que não estabelecer uma conversa amigável, mas respondia evasivamente a perguntas mais pessoais.

Torre dos Ingleses, na Av. del Libertador - Buenos Aires, Argentina - Foto: Amandina Morbeck

Torre dos Ingleses, na Av. del Libertador, bairro Retiro – Foto: Amandina Morbeck.

Com relação ao metrô, geralmente as estações são sujas e mal cuidadas. Num dos trens as poltronas eram acolchoadas e forradas com veludo azul bastante encardido. Uma coisa me chamou a atenção (novamente não posso generalizar, pois os horários em que peguei o metrô não foram os mais movimentados): as pessoas realmente esperavam as outras saírem antes de entrarem, algo totalmente diferente ao que estou acostumada a ver e a vivenciar em São Paulo, quando às vezes mal conseguimos descer na estação que queremos porque somos empurrados para trás por usuários apressados e grosseiros.

Peguei o trem para Tigre na estação Retiro. O edifício é imenso, com bela arquitetura, mas a limpeza e a manutenção de seu interior deixam muito a desejar. No trem, nada de conforto, mas foi muito legal ver que as pessoas podiam carregar suas bikes de uma estação para outra sem nenhum problema. E havia muitos ciclistas circulando, de todas as idades.

Agora, sobre os outlets. Dos que visitei, os únicos que realmente valeram a pena foram da Nike (apesar da pouca variedade de modelos, de tamanhos e de cores de tênis e de artigos de vestuário) na Av. Córdoba, 4660; da Converse All Star, com incontáveis cores e padrões que nunca vi por aqui, bem como com vestuário (Calle Humboldt, 1665); da Puma (Calle Garruchaga, 807); e imperdível mesmo, da Lacoste (Calle Garruchaga, 830, pertinho da Puma). Nele, porém, é preciso olhar bem o produto, pois há vários com defeitos, principalmente manchas e furos.

Galeria Pacífico - Buenos Aires, Argentina - Foto: Amandina Morbeck

Galeria Pacífico – Foto: Amandina Morbeck.

Na famosa Galeria Pacífico, ouvi mais português que espanhol. Nela, não achei os preços interessantes e nada comprei, mas adorei tomar sorvete na Freddo. Aliás, é uma rede, portanto seus sorvetes podem ser saboreados em qualquer outra filial e são maravilhosos! Sobre a Calle Florida e outros pontos de consumo minha opinião é a mesma: não valem a pena. Acredito que poucas pessoas ainda digam que realmente viajam para fazer compras em Buenos Aires.

Show de tango não vi nenhum. Não deu vontade. Meu sentimento de simpatia por essa capital inclui seus cafés aconchegantes – famosos ou não -, sua arquitetura planejada, suas avenidas largas, as pessoas amáveis que encontrei, a língua que me encanta, as livrarias, os bistrôs, Puerto Madero, a colorida Caminito e seus arredores, os museus, o Teatro Colón, as ruas arborizadas, o céu azul, o maravilhoso Rio de la Plata, os bares charmosos, a comida gostosa e as medialunas (croissants), minha adorada Mafalda (que encontrei sentada num banco numa calçada de San Telmo, apreciando a frescura da noite e o sossego) e aquilo que não é definido, mas que deixa o coração feliz só de pensar, principalmente talvez porque tenha ido com meu amor e com dois amigos queridos.

Uma das muitas frutarias espalhadas por Buenos Aires - Foto: Amandina Morbeck

Uma das muitas frutarias espalhadas pela cidade – Foto: Amandina Morbeck.

Realmente, um lugar para ser visitado outras vezes, pois não foi possível ver tudo o que eu gostaria. Mas como qualquer lugar turístico, não descuide de sua segurança em nenhum momento. Quando sabemos dos riscos, ficamos muito mais atentos.

Leia a matéria Aumenta o número de roubos e furtos a brasileiros em Buenos Aires. Clique aqui.

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Sobre notas falsas em Buenos Aires

Numa série chamada Capitais do Delito, que passou no canal National Geographic, o apresentador mostra como os turistas podem ser vítimas de roubos em várias cidades do mundo. Um dos programas foi gravado em Buenos Aires e o mostra em várias situações, como num táxi, com uma câmera escondida, vivenciando o problema que envolve notas falsas. Quando fiz esta atualização, esse episódio estava disponível no YouTube, mas foi retirado. De qualquer forma, tente encontrá-lo com palavras-chaves. Vale muito a pena assistir.  Você verá também que o problema não está apenas em pesos falsos.

Minha sugestão: evite pagar taxista com notas de 50 ou de 100 pesos, mas se não tiver jeito, diga a ele que pagará com “xis” valor para que ele já vá providenciando o troco. Só depois entregue a nota.

Mas fique de olho, pois o risco de receber notas falsas não acontece só em táxis, mas também em casas de câmbio, em restaurantes, em lojas e até em bancos, como mostra o vídeo.

Se você também colocar no Google as palavras-chaves “notas falsas em buenos aires”, encontrará muitos casos.

(Textos e fotos: Amandina Morbeck)


Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.


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