Barra do Garças, Roncador e região, Mato Grosso

Do alto da Serra Azul tem-se essa vista de Barra do Garças - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Mrorbeck.

Do alto da Serra Azul tem-se essa vista de Barra do Garças, à direita.

Neste post, contarei sobre um passeio de um dia que fiz de Barra do Garças a Nova Xavantina, passando pela bela Serra do Roncador. Cresci em Barra do Garças, para onde sempre volto periodicamente para visitar minha família, quando aproveito para curtir um pouco das belezas naturais que existem na cidade e ao redor dela.

Uma das piscinas do Parque das Águas Quentes - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Uma das piscinas do Parque das Águas Quentes

Com pouco mais de 50 mil habitantes, Barra está localizada numa vasta planície emoldurada pela Serra Azul, bem na divisa com Goiás. Fundada em 1924 por dois garimpeiros, há muito anos tornou-se a capital dessa porção da Amazônia Legal que chega até o Xingu.

Praia do Rio Araguaia ao entardecer - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Praia do Rio Araguaia ao entardecer.

Ali, o mato-grossense Rio Garças termina sua trajetória desaguando no goiano Araguaia, que então segue seu curso solitário. De abril a setembro, a seca traz à superfície muitas praias deliciosas ao longo das margens desses rios, principalmente na parte goiana em Aragarças – um ótimo lugar para curtir a tarde e ver a noite chegar, assistindo ao por do sol.

Uma das cachoeiras dentro do Parque Estadual da Serra Azul - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Uma das cachoeiras dentro do Parque Estadual da Serra Azul.

Quem quer conhecer a Serra do Roncador, Nova Xavantina e o Rio das Mortes e chegar até São Félix do Araguaia por terra precisa passar por Barra do Garças, que tem atrativos interessantes além das praias, como o Porto do Baé (onde fica também um restaurante flutuante bem legal); o Parque Estadual da Serra Azul, com as cachoeiras na trilha ao pé da serra (uma ótima pedida para abrandar o calor típico da região); o Cristo, a 640 m de altitude e a 350 m de altura e de onde se avista toda a planície com as duas cidades; o Parque das Águas Quentes, com piscinas de águas termais até 38 graus e com uma ótima área de lazer; e até um projeto de discoporto, lançado por um prefeito, já falecido, que acreditava que os discos voadores (que dizem ser vistos por ali) poderiam pousar. Bom, esse projeto não foi pra frente e acabou virando piada, mas de qualquer forma, o local virou ponto turístico.

O discoporto, para pouso de discos voadores, que acabou virando piada - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck..

O discoporto, para pouso de discos voadores, que acabou virando piada.

Os dias em Barra do Garças foram divididos curtindo esses locais e também um bate-volta até Nova Xavantina, passando pela Serra do Roncador, na ponta que fica às margens da BR 158.

 

Serra do Roncador

Ponta da Serra do Roncador na beira da BR 158 - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck..

Ponta da Serra do Roncador na beira da BR 158.

A Serra do Roncador, cujo nome vem do barulho, como roncos, que o vento provoca ao passar por seus paredões, fica a 76 km de Barra do Garças, sentido norte. Pouco antes de chegar ao vilarejo de Vale dos Sonhos é possível vê-la a distância, cortando a planície.

Ao longe, no sentido norte da rodovia, o paredão da Serra do Roncador se sobressai - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Ao longe, no sentido norte da rodovia, o paredão da Serra do Roncador se sobressai na paisagem.

Famosa por causa de lendas e de misticismo, o que é realmente inegável são sua beleza e sua imponência. Do desaparecimento do explorador inglês Percy Fawcett na região, em 1925, a visitas de seres extra e de intraterrestres, não faltam histórias que fazem referência a essa serra. Sua ponta fica exatamente numa curva da BR 158 e é impossível passar por ali sem admirar essa formação rochosa avermelhada. Ao sopé dela, mora o Maurinho, guia e guardião da serra, como ele se autodenomina, que leva pessoas para travessias, para acampar mata adentro, para visitar grutas e para subir até o Dedo de Deus e o Guardião, as duas pedras separadas do paredão que ele assim batizou.

Vista da serra sentido sul - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck..

Vista da serra sentido sul.

Nesse dia, porém, não consegui encontrá-lo e fiquei ali só curtindo o visual, sentada, embalada pela brisa suave e cercada por um silêncio mais que bem-vindo, quebrado de vez em quando pelos poucos carros que passaram. Depois de um tempo naquela contemplação e com a fome apertando, resolvi seguir viagem até o povoado seguinte, Indianópolis, 32 km à frente.

 

Indianópolis

Indianópolis é só isso: a rodovia e algumas casas de cada lado dela - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck..

Indianópolis é só isso: a rodovia e algumas casas de cada lado dela.

O único local aberto àquela hora do dia era o Bar e Restaurante da Lú, onde conheci sua simpática proprietária, a baiana Luizete Lopes de Deus. Não havia nada à vista para se comer. Pedi uma coca-cola e começamos a conversar. Ela contou que nos 33 anos que morava na região havia visto objetos voadores não identificados por duas vezes, mas o que realmente me animou foi saber que ela fazia comida a gosto do freguês. Ufa! Faminta, encomendei arroz, feijão, salada (com coisas da horta que ela tinha no quintal), peixe e ovo frito.

O pequeno bar e restaurante da Lú - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

O pequeno bar e restaurante da Lú.

Ela sugeriu que, enquanto preparava tudo, eu poderia me refrescar no rio que passa pelo povoado – e de onde ela havia pescado o peixe que faria. Não precisou falar duas vezes. Combinamos o tempo e lá fui eu, curtir a água fria sob aquele calor de 35 graus Celsius. Difícil foi sair depois.

Delícia de água para mergulhar num calor de quase 40 graus - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Delícia de água para mergulhar num calor de quase 40 graus.

Quando voltei, o almoço estava pronto. Tudo fresquinho e com um tempero caseiro maravilhoso! Comi muito e ainda teve sobremesa: jabuticabas geladas. Nossa, quase pedi uma rede depois, mas ainda tinha mais 47 km até Nova Xavantina. Nos despedimos com um abraço e com votos de boa sorte antes de eu seguir viagem. Até hoje me lembro da Lú, do carinho com que ela me recebeu e daquela comida simples e deliciosa que ela me serviu. Se morasse mais perto, tinha virado freguesa assídua.

 

Nova Xavantina

A Praia do Sol nas margens do lendário Rio das Mortes - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck..

A Praia do Sol nas margens do Rio das Mortes.

Com apenas 19 mil habitantes, Nova Xavantina foi fundada em 1943 nas margens do lendário Rio das Mortes por um comandante da Expedição Roncador-Xingu durante a marcha para o oeste, promovida por Getúlio Vargas.

A praia e o rio vistos de outro ângulo - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

A praia e o rio vistos de outro ângulo.

Não vi muito dela, a não ser uma sorveteria, o rio e a Praia do Sol que, apesar de urbana, era limpa e com delimitação de profundidade para proteção dos banhistas. Eu mal podia esperar para mergulhar naquela água fresca e cristalina. Além do mais, não era um rio qualquer, era o Rio das Mortes, que recebeu esse nome por causa das batalhas sangrentas travadas entre índios xavantes e bandeirantes em suas margens. Com 580 km de extensão e profundidade mínima de 0,80 m, desemboca no Rio Araguaia na região de São Félix, no Xingu. A ponte sobre o Rio das Mortes ali em Nova Xavantina tem 168 metros de extensão por 3,20 de largura.

Ponte sobre o Rio das Mortes na BR 158 - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Ponte sobre o Rio das Mortes na BR 158.

Nova Xavantina também tem sua porção mística e por muito tempo atraiu seguidores da eubiose, uma filosofia ou uma seita, não sei direito, que prega uma vivência harmônica entre o sagrado, o profano, o divino e o humano. Seu templo ali foi fundado em 1976.

Encerrei o passeio nessa sorveteria - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amadina Morbeck.

Encerrei o passeio nessa sorveteria.

Depois de curtir o rio, fazer fotos, conversar com as pessoas, nadar e contemplar, dirigi até o centro da cidade para procurar uma sorveteria antes de voltar para Barra do Garças. Foi um passeio de apenas um dia, mas que valeu a pena e que recomendo a quem for visitar a região.

Saída e retorno a Barra do Garças: 309 km.

(Texto e fotos: Amandina Morbeck)


Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.


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One comment

  1. Francielly Silva on 21/04/2015 at 22:09 said:

    amei o local , quero ir visita

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