80 km de praias e de dunas no “fim” do Brasil

Paisagem durante o passeio de buggy - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Paisagem durante o passeio de buggy – Foto: Amandina Morbeck.

80 km de praias e de dunas no “fim”do Brasil: é assim na distância que separa São Miguel do Gostoso de Galinhos e que fiz de buggy, passando por lugares inexplorados, vilas de pescadores e trilhas no semiárido nordestino. No fim, são 160 km, mas na volta parece que é tudo novo, que não passamos por aqueles caminhos e é compreensível. Afinal, vimos as paisagens de um ângulo e o que ficou às costas só é visto em sua plenitude ao retornarmos. Assim, é como se fizéssemos dois passeios em um.

Praia de Caiçara do Norte, com o Farol de Santo Alberto bem na ponta - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Praia de Caiçara do Norte, com o Farol de Santo Alberto bem na ponta – Foto: Amandina Morbeck.

Ele dura de sete a oito horas e é preciso aproveitar a maré baixa para ser feito ao longo das praias. Eu nunca havia andado de buggy e, sentada na parte alta atrás, o colchonete não impediu a dor nas nádegas depois de algumas horas de sobe-desce e de trepidação. Por outro lado, achei uma delícia fazer o percurso vendo tudo sem nenhum obstáculo visual e com muito vento para amenizar o calor.

Farol de Santo Alberto - Foto: Amandina Morbeck.

Farol de Santo Alberto – Foto: Amandina Morbeck.

Uma coisa que não curti foi ver o veículo passar perto dos ninhos de tartaruga, identificados com bandeirinhas amarelas deixadas por voluntários que cuidam desses animais indefesos. Por mais ou menos 15 km de praia, a partir de Tourinhos, veem-se as marcações e acredito que o melhor seria fazer um desvio, como contribuição à preservação desses bichinhos (saiba mais sobre isso em O protetor de tartarugas, logo abaixo).

Bandeira que indica a existência de um ninho de tartaruga - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Bandeira que indica a existência de um ninho de tartaruga – Foto: Amandina Morbeck.

Há uma praia no caminho, logo depois de Tourinhos, que é conhecida por atrair mais tartarugas que outros locais. De acordo com o guia/motorista do buggy, elas ficam nadando em frente a esse ponto, algumas imensas, e quando a noite cai elas saem da água e sobem a duna. Não ficamos até a noite, mas fizemos uma parada na volta para São Miguel, esperando ver algumas por ali, mas não tivemos sorte.

Há muitas dunas pelo caminho - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Há muitas dunas pelo caminho – Foto: Amandina Morbeck.

Ao longo do passeio é possível pedir ao guia que pare em alguns lugares que se quer curtir mais, para nadar um pouco ou para fazer fotos. Esse é um programa de dia inteiro que cansa bastante, mas é muito divertido. E como o sol (ou apenas o mormaço) é muito forte, protetor solar é obrigatório, assim como óculos escuros, pois a velocidade do buggy, somada ao vento que traz grãos de areia das dunas e das praias, pode machucar os olhos.

Praia do Marco, com a réplica do marco de 1501 encontrado nesse local - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Praia do Marco, com a réplica do marco de 1501 encontrado nesse local – Foto: Amandina Morbeck.

Uma das praias pela qual passamos é a do Marco, que tem esse nome porque ali foi encontrado um marco colonial deixado pelos portugueses em 1501 e que, de acordo com historiadores, indica onde eles colocaram os pés pela primeira vez nessa parte do Nordeste brasileiro. Hoje, uma réplica ocupa seu lugar, pois o original foi levado para Natal e está exposto no Forte dos Reis Magos.

Praia de Galhinhos - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

Praia de Galhinhos – Foto: Amandina Morbeck.

Esse passeio – como o outro para as piscinas naturais em Perobas – pode ser contratado na pousada ou diretamente nas agências de turismo no centro de São Miguel do Gostoso.

 

Considere se vale mesmo a pena almoçar em Galos

Antes de chegarmos a Galinhos, ponto final desse roteiro, o guia parou no Restaurante da Irene, em Galos, o lugar mais feio e mais fedorento de todo o trajeto, para reservarmos o almoço. Sem saber o que veríamos à frente, pedimos uma muqueca de peixe, pois o guia só disse que voltaríamos ali para almoçar e depois retornarmos para São Miguel (sem compartilhar que em Galinhos havia barzinhos e comida também, num lugar muito mais bonito e agradável).

E qual não foi nossa surpresa ao chegarmos a Galinhos e nos depararmos com uma praia linda, com uma parte mais agitada e outra bem mais tranquila, onde fica o farol. Podíamos e queríamos ficar ali, mas por já termos feito a reserva em Galos, tivemos de voltar. Quando chegamos lá, havia self-service (o guia também não mencionou essa opção e achamos que era só à la carte) e o prato que havíamos escolhido ainda seria preparado. Pedimos para cancelar e comemos do que já estava pronto, com várias opções entre salada, arroz, feijão, peixes e camarão.

No entanto, minha dica é que você não tope comer ali, mas em Galinhos. Leve dinheiro – e não cartão de crédito/débito – para pagar suas despesas.

 

O protetor de tartarugas 

De camisa azul, o pescador Anselmo - www.viajandocomaman.com.br - Foto: Amandina Morbeck.

De camisa azul, o pescador Anselmo – Foto: Amandina Morbeck.

Com sorte, você talvez encontre pelo caminho um pescador (se não me engano, chamado Anselmo) que anda 14 km todos os dias (8 km de ida e 8 km de volta para sua vila) para monitorar a desova e o nascimento de tartarugas. Sem recursos públicos, ele toma conta desses quilômetros de praia, anotando as datas de todos os ninhos, que são numerados, em seu caderninho. Assim, ele sabe quando os bichinhos vão nascer – pois os ovos ficam enterrados entre 56 e 60 dias. Ele também informa se há possibilidade de algum nascimento por aqueles dias, que pode ser observado por outras pessoas.

Sua história é interessante. Muitos anos antes, quando mudou para a região, ele matava tartarugas para comer. Quando a pesca melhorou, parou de fazer isso e assumiu o compromisso de compensar o que havia feito, passando a cuidar desses bichinhos.

O ideal seria que se criasse uma área de proteção ali e que ele e o outro voluntário (que é de São Miguel e monitora mais 7 km de praias a partir de Tourinhos em direção a Galinhos) recebessem apoio e fossem remunerados, uma vez que realizam um trabalho de preservação tão importante.

(Texto e fotos: Amandina Morbeck)


Observação: Se tiver intenção de visitar esse lugar, confirme as informações na época de sua viagem, pois com o passar do tempo (desde a publicação deste post) muitas coisas podem mudar.


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